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Ex-diretor do Museu da Presidência acusado de tráfico de influência e branqueamento

17 mai, 2018 - 17:42

Ministério Público exige a perda a favor do Estado de cerca de 7,8 mil euros e que Diogo Gaspar seja impedido de exercer funções enquanto funcionário público.
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O Ministério Público acusou esta quinta-feira o antigo diretor do Museu da Presidência da República Diogo Gaspar de participação económica em negócio, falsificação de documento, peculato, tráfico de influência e branqueamento de capitais.

A informação consta do site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), que adianta ter acusado quatro arguidos, entre os quais o ex-diretor do Museu da Presidência (Diogo Gaspar), por abuso de poder, participação económica em negócio, falsificação de documento, peculato, tráfico de influência e branqueamento de capitais.

O MP entende que "está suficientemente indiciado que, entre 2004 e 2016, o arguido que exercia funções no Museu da Presidência da República (MPR) utilizou a sua posição, funções e atribuições e para obter vantagens patrimoniais e não patrimoniais indevidas, em seu benefício e de terceiros".

Na acusação, o Ministério Público exige a perda a favor do Estado de cerca de 7,8 mil euros, quantia indevidamente recebida pelo principal arguido, e a pena acessória de proibição do exercício de funções como funcionário público.

Segundo a 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, Diogo Gaspar formou com outro arguido uma empresa na qual, não sendo sócio-gerente, atuava como tal, beneficiando a empresa e a si próprio.

A investigação concluiu que o antigo responsável pelo museu se aproveitou das funções "e do acesso privilegiado que tinha às solicitações efetuadas por clientes à Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR)" para contratar a própria empresa para a prestação de serviços junto da SGPR, "sobrevalorizando o preço de serviços".

O MP diz que o mesmo plano foi traçado para empresas de um outro arguido.

Foi elaborada uma lista de peças de mobiliário do Palácio da Cidadela de Cascais que Diogo Gaspar classificou como "alienáveis" e a abater, "invocando o seu estado de degradação ou falta de valor" e considerado que a melhor proposta foi a da empresa do outro arguido. Deste modo foram adquiridas, pelo menos, 178 peças de mobiliário por valor inferior ao de mercado.

Segundo a acusação, o ex-diretor exerceu influência "junto de organismos e entes públicos com poderes de decisão para os negócios que pretendia ver concretizados, com vista ao recebimento de vantagens ilícitas".

Para o MP, o antigo responsável pelo museu da presidência "atuou em violação dos deveres de legalidade, isenção e prossecução do interesse público" a que estava obrigado, assim como o de "proteção dos interesses financeiros e patrimoniais" do MPR e da Secretaria-Geral da Presidência da República".

À espera de ser informada oficialmente

Reagindo às acusações formais, a diretora da Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC) disse à agência Lusa que Diogo Gaspar continuará a exercer funções naquele organismo enquanto a informação hoje avançada pelo Ministério Público não lhe for oficialmente comunicada.

"Enquanto não me comunicarem que ele não pode exercer funções", Gaspar fica, sublinhou Celeste Amaro. O antigo diretor do Museu da Presidência está, desde fevereiro, a trabalhar na DRCC em regime de mobilidade pelo período de um ano.

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