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​Arte rupestre no Guadiana pode ser inédita

15 fev, 2018 - 14:51

Hipótese é admitida pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, que vai iniciar uma "campanha de estudo e documentação gráfica e fotográfica" destes novos achados.
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Seca terá desvendado mais arte rupestre no Guadiana
Seca terá desvendado mais arte rupestre no Guadiana

A Direção Regional de Cultura do Alentejo admite que as cinco gravuras descobertas nas margens do rio Guadiana, em Elvas, após a descida das águas provocada pela seca, constituem uma manifestação de interesse de arte rupestre.

Os serviços regionais do Ministério da Cultura explicam, em comunicado, que, "neste momento", estão a "preparar uma campanha de estudo e documentação gráfica e fotográfica" destes novos achados, adiantando em título que a arte rupestre no Guadiana pode ser inédita.

A Direção Regional de Cultura do Alentejo relata que já enviou um arqueólogo ao local, que teve "oportunidade de confirmar 'in loco'" o interesse da descoberta das gravuras, que vários especialistas e arqueólogos admitem ser da época pós-paleolítica.

Descobertas anteriores na região remontam sobretudo ao período paleolítico, enquanto investigadores admitem a possibilidade de estas gravuras pertencerem a uma data posterior, entre o neolítico e o calcolítico.

Os painéis foram encontrados na semana passada, na margem portuguesa do Guadiana, por um antigo militar espanhol, Joaquin Larios Cuello, na zona da ponte da Ajuda, perto da cidade raiana de Elvas, no distrito de Portalegre.

Gravuras aparentam ter "milhares de anos"

O historiador Luís Lobato de Faria, que tem acompanhado no terreno a descoberta, adiantou à agência Lusa que as gravuras aparentam ter "milhares de anos", e lembram a forma de serpentes e de figuras humanas através de picotados em rochas.

Devido à descida das águas, em consequência da seca, segundo Luís Lobato de Faria, estão também a surgir gravuras na margem espanhola do rio.

"Já desenhámos parte das gravuras para que fiquem salvaguardadas", disse o historiador, recordando que, em 2001, foi feito um levantamento de gravuras de arte rupestre na mesma zona.

A descoberta das gravuras, que vão ser estudadas por especialistas, tem sido debatida nos últimos dias na página de Internet "Archport", apresentado como o mais antigo fórum de discussão dedicado à arqueologia em Portugal.

Primeiros achados nos anos 70

As primeiras gravuras de arte rupestre no Guadiana foram descobertas na década de 70 do século XX, na zona do Pulo do Lobo, no concelho de Mértola, distrito de Beja, tendo, depois, em 2001 e 2002, sido registados mais achados aquando da construção da Barragem do Alqueva.

Nessa altura, foram identificadas gravuras representando animais e figuras geométricas, ao longo de uma faixa que se estende por mais de dez quilómetros, no concelho de Alandroal, distrito de Évora.

"Descobrimos centenas de figuras, ao longo de muitos quilómetros, na zona de influência da Barragem do Alqueva. A estação principal, aquela que tinha mais gravuras, chama-se Mulenhola", recordou esta quinta-feira à agência Lusa o responsável pelo projeto de investigação de arte rupestre do Alqueva, António Martinho Batista.

"Algumas das gravuras que foram descobertas na parte espanhola, nessa altura, eram paleolíticas. Na parte portuguesa, a maior parte eram gravuras pós-glaciares", acrescentou.

António Martinho Batista afirmou que as gravuras agora descobertas dão a entender que são do período entre o "neolítico e o calcolítico".

"São figuras abstratas e inserem-se precisamente na cronologia daquilo que foi descoberto em 2001 e 2002, nos trabalhos desenvolvidos pelo Centro Nacional de Arte Rupestre", sublinhou.

Nos últimos dias, Joaquin Larios Cuello e o casal Luís Lobato de Faria e Eunice Gomes têm explorado a zona ribeirinha, na sequência de um projeto destinado a "estudar a identidade cultural e a fomentar a economia através do setor do turismo".

O casal, que explora uma unidade de alojamento local e tem uma empresa de animação turística no concelho de Alandroal, promove passeios culturais um pouco por toda a raia alentejana, onde conheceu o espanhol Joaquin Larios Cuello.

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  • 16 fev, 2018 17:38
    Tem milhares de anos nao as vamos estragar! Mas o que sera que isto tem de interessante? Era preferivel termos agua e nao as vermos!