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​Ordem dos Médicos rejeita penalização de internos que deixem interior do país

03 jan, 2018 - 13:04

Medida pode ser "contraproducente" porque "pode afastar mais os jovens especialistas do Serviço Nacional de Saúde ao invés de os cativar para ficarem", diz bastonário.
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Os médicos internos vão voltar a receber incentivos para escolherem hospitais com carências na sua área de especialidade, onde terão que trabalhar durante três anos após o fim da formação. A notícia é avançada na edição desta quarta-feira do jornal “Público”.

De acordo com o jornal, se os internos quebrarem esse contrato, ficam impedidos de exercer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante três anos.

Estas são algumas das alterações ao Regime Jurídico do Internato Médico que constam da proposta de decreto-lei do Ministério da Saúde, a que o jornal teve acesso.

Ouvido pela Renascença, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, receia que a medida seja contraproducente.

“É uma medida que se pode revelar contraproducente porque esta medida pode afastar mais os jovens especialistas do Serviço Nacional de Saúde ao invés de os cativar para ficarem a trabalhar no SNS”, diz.

Miguel Guimarães diz ainda que é necessário repensar a falta de médicos no interior do país.

“É uma situação que de facto nos preocupa e julgo que o Ministério da Saúde e o próprio Governo têm de pensar as zonas mais carenciadas, mais periféricas de uma forma diferente daquela que tem sido pensada. Tem que ser uma coisa global, para a sociedade, no sentido de a qualidade, de uma forma global, aumentar e permitir que as pessoas continuem, de uma forma natural, a trabalhar nas zonas mais carenciadas”, remata.

De acordo com o jornal “Público”, a proposta, datada de 6 de Dezembro, ainda irá a Conselho de Ministros. Caso seja aprovada, há outras novidades: o ano comum vai mesmo manter-se, os candidatos podem ter que pagar para fazer o exame de acesso ao internato e passa a estar definido na lei que os internos podem fazer, no máximo, 12 horas semanais de urgência.

Comentários
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  • Filipe
    03 jan, 2018 évora 13:56
    No interior de Portugal não estão os grandes Hospitais privados ...
  • J.Batista
    03 jan, 2018 Lisboa 13:50
    Este sr. médico e bastonário dos colegas não apresenta soluções, apenas críticas NEGATIVAS e de agenda pessoal. Aliás, seria de REPENSAR tantas organizações "representativas" e "cumulativas" que agora pululam na sociedade portuguesa. Ou sindicatos ou "ordens"! Não podem representar a profissão e discursar duas organizações para o mesmo efeito: "criticar" ou força de pressão ou força de bloqueio ou força organizacional de um ramo profissional. O Estado não pode sustentar este tipo de tachos e frigideiras com subsídios e acabar com a utilidade pública porque me parece que "utilidade pública" temos todos os cidadãos deste país em relação ao mesmo.