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Aqui ninguém tem frio. Dezenas começam 2018 com mergulho no mar

01 jan, 2018 - 12:54

Tradição de ano novo cumpriu-se nas praias de Carcavelos e Matosinhos.
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Dezenas de pessoas cumpriram esta segunda-feira a tradição. Apesar do frio, aproveitaram o primeiro dia do ano para mergulhar nas praias de Matosinhos e Carcavelos.

Apesar dos avisos da Autoridade Marítima sobre a agitação prevista no mar, os banhistas cumpriram uma tradição com décadas.

António Santos, 93 anos, é um dos pioneiros desta tradição e alcançou o 75.º banho no mar no dia 1 de Janeiro.

São muitas as histórias que António Santos tem memorizadas destes primeiros banhos do ano, que começaram por iniciativa de um grupo de amigos em 1943.

"Em 1942 lemos no jornal que dois malucos se mandaram ao Tamisa à meia-noite [de 1 de Janeiro]. Em 1943 decidimos também entrar no mar no primeiro dia do ano", conta António Santos à agência Lusa.

Desde 1943 até hoje têm sido muitos a juntar-se à iniciativa, uma experiência que os banhistas asseguram que traz benefícios para a saúde.

Inácio Abreu cumpriu esta segunda-feira o seu terceiro banho de mar no primeiro dia do ano e afirma que se sente fisicamente "muito bem" com esta tradição, que a mulher acompanha do areal e apenas para "transportar a toalha".

Os trajes temáticos são outra tradição que estas amigas estão a juntar à do banho no mar. Depois de já terem experimentado a Capuchinho Vermelho e os fatos de banho dos anos 20, pensam que em 2019 irão vestidas de palhaças.

Os disfarces não são um exclusivo deste grupo de amigas. Aliás, muitos dos banhistas que hoje de manhã se aventuraram no mar de Carcavelos optaram por trajar de modo quase carnavalesco, aliando o vestuário ao espírito de animação vivido no areal daquela praia de Cascais.

Em Matosinhos, também foram dezenas as pessoas que começaram 2018 com um mergulho no mar.

"O mar é renovador de energia e é uma forma de começar o ano em grande forma", contou Tânia Leandro, 36 anos, depois do primeiro mergulho na água que estava "óptima" e o mar "calmo", apesar de alguma ondulação.

Para o mergulho começaram a chegar à praia a partir das 10h00, até porque havia um evento criado na rede social Facebook para o efeito, embora nem todos se conhecessem.

Escolheram o melhor sítio para pousar a toalha e tirar a roupa e seguiram em corrida para a água do mar que até "está boa". Um, dois mergulhos, algumas gargalhadas, tiraram uma 'selfie' e regressaram à toalha rapidamente para secar e vestir, até porque, com o vento, "está mais frio cá fora", disseram.

"Está melhor dentro de água que cá fora", confessou Anabela Sampaio, 42 anos, que, com um grupo de amigas, foi pela primeira vez à praia de Matosinhos pela "experiência e aventura" e porque este "baptismo" é a melhor forma de "começar o novo ano com resoluções novas e vida nova".

Fazer coisas novas e "sair da zona de conforto" foi também o que levou Isabel Abreu e Raquel Pires até ao mar este ano pela primeira vez, tal como Isaura Costa que foi para fazer "companhia" a um grupo de amigos e até pensou que a água "ia estar mais fria".

José Lopes, 43 anos, tem tido alguns "contratempos e azares" e, por isso, pela primeira vez, quis que 2018 arrancasse para um "novo ciclo" na água que, disse, "está óptima".

Pela terceira vez, Ana Lopes regressou à praia de Matosinhos pela "tradição" de começar o ano no sítio que mais gosta, acompanhada de um grupo de "amigos e amigos de amigos" que assim, em "ambiente de convívio", partilham a "aventura" do primeiro mergulho do ano.

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  • José Armando
    01 jan, 2018 Leiria (distrito) 15:49
    Sem ofensa para os heróis, isto não passa de treta exibicionista, amplificado pela comunicação social. Em finais dos anos 60 e princípios dos setenta, em Matosinhos, junto ao paredão da praia e durante os meses de Outubro a Maio, aos domingos, juntava-se uma pequena multidão de jovens - e alguns menos - para jogarem futebol e depois seguiam-se os banhos e massagens no hospitaleiro mar de Matosinhos. O espaço era enorme, agora não sei, mesmo com as alterações de marés. Fizesse sol ou chovesse, só manhãs muito mazinhas impediam a reunião da tribo. De ter jogado futebol não me lembro, mas dos banhos, isso recordo: uma corrida, um chapão e pronto, não custava nada ficar uns minutos, de preferência com a água pelo pescoço. Hoje nem pensar, mas com seis a oito anos, era uma verdadeira febre dominical e ao meio-dia já estava na Igreja do Bonfim. E uma saudade imensa do bonacheirão Bernardino, .mentor e guardião, a pessoa mais bondosa que conheci. Ensinou-me as bases da arte de sobreviver quando me gritava: "o frio está na tua cabeça, não no teu corpo!".