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Reitor da Universidade do Porto apela a "contenção" e "tolerância" nas praxes

14 set, 2017 - 16:44

Sebastião Feyo de Azevedo sublinhou, na cerimónia de boas-vindas a mais de quatro mil novos estudantes da instituição,.que ninguém pode ser obrigado a participar em actividades que considere “inadequadas” ou “impróprias”.
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O reitor da Universidade do Porto (UPorto), Sebastião Feyo de Azevedo, apela ao “bom senso”, “tolerância” e “contenção” dos estudantes na celebração da praxe, advertindo que “ninguém” pode ser prejudicado na sua vida académica por recusar participar nessas actividades.

“Quero apelar ao bom senso, tolerância e contenção dos estudantes na celebração das suas tradições académicas, em particular, e vamos ser directos, naquilo que se chama praxe”, declarou, esta quinta-feira, o reitor da UPorto, durante a cerimónia de boas-vindas a mais de quatro mil novos estudantes da instituição.

Ao apelo de Sebastião Feyo de Azevedo seguiu-se um aviso - “não pode haver excessos do tipo de que se fala e do que nós vamos vendo que vai ocorrendo e que não podem ocorrer” - e ainda uma advertência: “Estas actividades não deverão ocorrer dentro das instalações universitárias”.

O reitor da UPorto sublinhou também que nenhum estudante poderia ser obrigado a participar em actividades que considere “inadequadas” ou “impróprias”.

“Não pode haver excessos do tipo de que se fala e do que nós vamos vendo que vai ocorrendo e que não podem ocorrer. Estas actividades não deverão dentro das instalações universitárias”, avisou, sublinhando que “ninguém é obrigado a participar em actividades que considerem inadequadas ou impróprias".

“Ninguém será prejudicado na sua vida académica por recusar participar nessas actividades. É com vocês aproveitarem as actividades que vos são proporcionadas, para se integrarem de facto na cidade e na comunidade académica, mas com respeito pelos valores humanos”, acrescentou.

O apelo de reitor da UPorto chega no mesmo dia em que o jornal "Público" avançou a notícia com o título “Caloiros devem ser incondicionalmente servis, diz o manual distribuído no Porto”, e no qual se refere que o documento está a ser entregue aos novos alunos da Faculdade de Ciências - facto que a direcção daquela faculdade disse ser impossível ter sido entregue dentro daquelas instalações.

Dados do Ministério da Ciência e Ensino Superior indicam que receberam no ano lectivo 2016/2017 nove queixas de actos violentos ou coercivos em praxes académicas.

A “Universidade não é apenas um espaço de transmissão, produção e aplicação de conhecimento. É um espaço onde há toda uma vivência social, cultural e cívica a envolver a comunidade académica que é determinante para o vosso desenvolvimento humano. Isso significa que a Universidade é também, e antes de mais, um território de socialização em intervenção cívica e crescimento intelectual”, explicou o reitor na intervenção sobre o tema “integração” dos alunos.

A UPorto preencheu este ano, na primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior, a totalidade das suas vagas 4.185 vagas, dominado a lista dos cursos com as médias mais altas de entrada, contando com sete dos 15 cursos superiores que registaram a maior nota de acesso em Portugal.

A instituição de ensino superior teve, este ano, “quase o dobro dos candidatos para as vagas que estavam disponíveis em primeira opção”, disse o reitor, referindo que dominou a lista dos cursos com as médias mais altas de entrada, tendo em conta sete dos 15 cursos superiores que registam a maior nota de acesso em Portugal.

“Estes números revelam não apenas a qualidade dos estudantes que entram na universidade, mas também a reputação que a nossa instituição goza. O Ensino e a Ciência, inovação e empreendedorismo, a criação artística e o pensamento crítico que tem lugar nesta universidade são valorizados pela sociedade portuguesa."

Com o mote “Olá Futuro”, a UPorto lançou esta tarde, a partir do largo da Reitoria, meio milhar de balões com as cores das 14 faculdades da academia e anunciou que para favorecer à integração na cidade ofereciam aos novos estudantes um roteiro turístico com visita à Torre dos Clérigos, Museu de Serralves, Casa da Música, Museu Soares dos Reis e Estádio do Dragão.


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  • fanã
    15 set, 2017 aveiro 16:26
    Esta "tradição" é como as touradas e outras diversões retrógradas , que em nada dignificam aqueles que pretendem um dia serem Médicos, Advogados ou titulares de outros cargos ao serviço da Sociedade . Não é de admirar o facto de tão baixa ética e competência que se denota em alguns profissionais dos diferentes pilares da nossa Sociedade , todos eles Dr's !
  • João Lopes
    14 set, 2017 Viseu 19:38
    As praxes académicas são uma aberração anticivilizacional. No carnaval ninguém é mobilizado e obrigado a participar e é lugar para o divertimento, exageração, caricatura e troça; as praxes são algo vazio, grotesco, alarve, violento e patético, sem significado cultural nem intelectual! As praxes são manobras de auto-flagelação e servem para exercer um poder irracional, massacrando física e psicologicamente colegas mais novos. São manipulação, estupidificação e empobrecimento através de rituais de humilhação. Há um espírito de casta e exercem um poder discricionário bárbaro e repugnante! Não são os valores éticos, cognitivos e de liberdade que movem a sua ação! Não promovem a vida intelectual, científica, o bom gosto, a ética e a estética nos estudantes mais novos. Dizem que a praxe integra e desinibe: só se for para a bagunça, a bebedeira, a má criação, a desinibição sexual e a indolência intelectual! As praxes permitem que alguns estudantes “psicopatas perigosos”, encontrem o ambiente e a forma de expressar os seus baixos sentimentos sádicos, sobre gente amedrontada e indefesa. Os praxistas seriam certamente capatazes eficazes em campos de concentração nazis e comunistas: aí a dignidade da pessoa humana nunca foi respeitada…