Gilberto Madaíl admitiu, esta quarta-feira, a existência de uma única situação de interferência do FC Porto nas convocatórias da selecção nacional, antes da meia-final da Liga dos Campeões de 2004 entre os dragões e Deportivo da Corunha.
"Foi a única situação, que eu saiba, e até não foi o presidente [Pinto da Costa], mas pessoas ligadas à estrutura do FC Porto. Neste caso, até penso que é legítimo, porque tinham jogo passado um dia ou dois", começou por dizer o antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), à margem de uma conferência sobre a selecção, em Lisboa.
"Estavam convocados quatro ou cinco jogadores para um jogo particular da selecção em Coimbra e foi-nos chamada a atenção para o facto de o FC Porto ir disputar esse jogo", prosseguiu Madaíl. "Mas", ressalvou, "o senhor Scolari acabou por convocá-los".
"Se os pôs a jogar o tempo inteiro, isso já não sei. Scolari tem uma personalidade muito forte", completou.
"Nem o Papa faria Scolari mudar para o Vítor Baía"
Por outro lado, e sobre a ausência de Vítor Baía das convocatórias da "era Scolari", o ex-líder federativo protagonizou uma expressão no mínimo curiosa.
"Desde o início que Scolari apostou em Ricardo. Nem o Papa o faria mudar para o Vítor Baía", sustentou, preferindo não acrescentar muito mais dados sobre o tema.
"É um assunto com oito anos. Não interessa. Não tinha [conhecimento]. É preciso conhecer bem o senhor Scolari - que deu muito a Portugal, é preciso sublinhar - para se compreender que ele não era pessoa para responder a isso. Convocava quem queria", diz Gilberto Madaíl.