O Nacional da Madeira quer impedir a realização da final da Taça de Portugal, que vai ser jogada entre Sporting e Académica, por considerar que os leões não têm "legitimidade" para estar na partida do Jamor.
Em entrevista exclusiva a Bola Branca, Rui Alves, presidente do emblema insular, revela que o clube vai apresentar uma "participação disciplinar para o conselho de disciplina da Federação Portuguesa de Futebol", ainda esta semana, contra o Sporting, recentemente envolvido no denominado "caso Cardinal".
Mas há mais. "Caso não exista uma decisão em tempo útil, vamos ponderar avançar com uma providência cautelar para impedir a realização da final da Taça", promete Rui Alves, sustentando a intenção com uma queixa que envolve Paulo Pereira Cristóvão, vice-presidente do Sporting, e Pedro Proença, árbitro da meia-final da Taça de Portugal entre Nacional e Sporting.
"Paulo Pereira Cristóvão não viajou com a equipa do Sporting para a Madeira antes do Nacional-Sporting. Viajou ao lado de Pedro Proença e privaram durante todo o voo. Toda a crítica admitiu que as decisões do árbitro prejudicaram o Nacional. É normal Paulo Pereira Cristóvão viajar nos voos das equipas de arbitragem", acusa Rui Alves.
Os leões acabaram por vencer na Choupana, carimbando a passagem à final.
Rui Alves também conhece alegada rede de espionagem
Paulo Pereira Cristóvão tem sido acusado de dirigir uma extensa rede de espionagem, que atinge equipas de arbitragem e elementos do próprio clube de Alvalade. Rui Alves confirma o cenário de "coacção dos árbitros", até porque garante ter "testemunhas" de tais ilegalidades.
"Paulo Pereira Cristóvão detém dados dos árbitros que não estão ao alcance de qualquer dirigente desportivo. Tenho testemunhas do que estou a dizer. O que se passou foi uma estratégia de coacção dos árbitros", sustenta.
Recordando o polémico caso em que o vice-presidente leonino está envolvido, o presidente do Nacional considera que "o Sporting tem que ser punido desportivamente".
"As acções e atitudes dos dirigentes", prossegue, "não podem ser dissociadas das respectivas SAD, senão está aberto o caminho para se formarem direcções de bandidos sem responsabilidades para as SAD", conclui.
O caso
O "caso Cardinal" surgiu depois de uma carta anónima dar nota de um alegado depósito de dois mil euros feito numa conta do árbitro assistente José Cardinal antes da partida entre Marítimo e Sporting, a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal.
As autoridades suspeitaram posteriormente que Paulo Pereira Cristóvão, ex-inspector da PJ, concebeu uma "armadilha" a José Cardinal, enviando alguém da sua confiança à Madeira para fazer o dito depósito na conta do árbitro assistente.
O objectivo do vice-presidente do Sporting - que entretanto suspendeu o mandato - passava alegadamente por afastar José Cardinal do jogo, que se disputou em Dezembro de 2011.