O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
|
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

A crise dos “media"

24 ago, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A queda da publicidade limita os meios de comunicação social em quase todo o mundo.

O maior grupo empresarial de publicidade do mundo, o WPP, reviu pela segunda vez este ano as previsões de receitas e vendas. Ambas as revisões foram em baixa e reflectem em grande parte a redução do investimento das empresas em publicidade.

Pensou-se inicialmente que, nos jornais, a publicidade perdida na edição em papel seria compensada por publicidade na edição digital, que actualmente quase todos os meios de comunicação social possuem.

Mas tal não aconteceu, pelo menos por enquanto. Para essa situação contribui o facto de empresas tecnológicas como a Google e o Facebook deterem hoje um quinto de toda a publicidade digital do globo.

Nos outros “media”, para além da imprensa – ou seja, na televisão e na rádio – a quebra da publicidade significa, quase sempre (sempre nas empresas privadas), uma substancial diminuição de recursos, pois a publicidade é a sua única fonte de receitas.

Como é óbvio, a quebra da publicidade e as descidas das vendas dos jornais na maior parte do mundo reflectem-se na qualidade dos “media”.

Julgo que actualmente já não seria possível um jornal como o “Washington Post” manter secretamente num hotel durante meses dois jornalistas, com apoios de secretariado, a investigar o escândalo Watergate. Falta dinheiro na comunicação social e a primeira vítima é o jornalismo de investigação, que não é barato.

Em 2013, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, comprou o “Washington Post”. Receou-se o pior, mas felizmente o jornal manteve um apreciável nível de qualidade.

Aliás, J. Bezos disse depois que tinha adquirido aquele jornal baseado na convicção de que o jornalismo é de interesse público e por isso precisa de sobreviver. Uma necessidade acrescida com a eleição de Trump, que já fez subir a tiragem de alguns jornais americanos de referência – que ele detesta, claro.

Nas edições “on-line” de grandes jornais americanos e europeus encontram-se agora apelos a que os leitores ajudem o jornalismo sério assinando esses jornais. Mas está muito enraizado o hábito de, na internet, consumir informação de graça. O fim da crise dos “media” ainda não está à vista.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Roberto Moreno
    29 ago, 2017 Lisboa, Portugal. 11:42
    No dia 18 de Abril de 2011, às 12h. o Sr. FRANCISCO SARSFIELD CABRAL, recebeu Roberto Moreno, presidente da Fundação Geolíngua, o qual foi-lhe apresentado o projeto ENDOECONOMIA (ver no Google esta palavra) no âmbito de uma Globalização mais justa e autossustentável e o Caso Fundação Geolíngua. - Foi solicitado, ao “jornalista” Francisco, a sua opinião e, se possível, uma reportagem sobre o tema. - Nunca obtive resposta sobre a proposta que lhe foi feita, ao vivo, por e-mail e documentado em texto, audio e video, sobre a participação da Renascença nos projetos e Casos - Endoeconomia e Fundação Geolíngua. - Meses após, ao solicitar-lhe uma resposta, o “jornalista” disse-me que tinha remetido estes assuntos a um outro "jornalista", … e assim por diante … até os dias de hoje. - Entretanto, continuo à disposição da Renascença, e não só, para lhes narrar todo o conteúdo da reunião, tida com o Sr. Francisco Cabral. - Já agora, estou à procura de jornalistas, a sério, para entrevistar o Chico "jornalista", no âmbito do material que lhe foi fornecido.
  • Albertina Sarmento
    24 ago, 2017 Anadia 13:46
    Mais uma das suas visões simplistas, superficiais e únicas... aquilo que sempre teve! Veja-se outro exemplo: http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34
  • bibência
    24 ago, 2017 lx 13:09
    Caríssimo Francisco Sarsfield Cabral, será que «a quebra da publicidade e as descidas das vendas dos jornais na maior parte do mundo reflectem-se na qualidade dos “media”»? Ou será antes o inverso?!... Reveja a sua posição. A minha é a de que os media são os causadores maiores dos grandes problemas da sociedade actual! Os media manipulam, distorcem, e transpõem com a maior impunidade as regras que somos obrigados a seguir para uma vivência social pacífica. Os cárceres estão ávidos de os receber!!! Definitivamente, não é esta a informação que desejamos e precisamos!
  • barbara
    24 ago, 2017 lisboa 09:51
    Os media são propriedade de grandes empresas que por sua vez são atacadas pelos seus jornais e atacam alvos de cuja sobrevivência mts vezes dependem.Passando os jornais a noticias imprecisas , tornadas telenovelas e partidarizadas cricando por vezes as maiorias sociológicas criam afastamento da aquisição.Hoje a inernet oferece sobre o mesmo assunto diversa visões do Mundo por exem a ocidental e não ocidental.Em quem acreditar?