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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Os sunitas do Estado Islâmico atacam em Teerão

09 jun, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Trump não tem qualquer estratégia racional para o Médio Oriente.

O atentado do “Estado Islâmico” (EI) em Teerão, na quarta-feira, foi o primeiro desde que o Irão derrubou o Xá e passaram a mandar ali as autoridades religiosas muçulmanas. Diz a polícia do Irão que, até aqui, conseguiu impedir várias acções terroristas. Não sabemos se será verdade.

Os alvos dos terroristas em Teerão foram sobretudo simbólicos – como o Parlamento e o túmulo de Khomeini, líder da revolução de 1979 que depôs o Xá e máxima autoridade do país até à sua morte, dez anos depois. Mas no atentado morreram pelo menos treze pessoas. Trata-se da secular guerra religiosa entre sunitas (EI, Arábia Saudita, etc.) e xiitas (Irão).

Naturalmente que os extremistas do Irão, como os Guardas da Revolução, acusaram a Arábia Saudita e os Estados Unidos de estarem por detrás deste atentado. Trump pôs-se a jeito, ao tomar inequívoco partido pela Arábia Saudita e outras monarquias sunitas do Golfo contra os xiitas do Irão, que não é uma democracia mas tem elementos democráticos que não existem naquelas monarquias absolutas. E se o Irão apoia terroristas como o Hamas e o Hezbollah, os sauditas financiam, na sombra, terroristas não menos perigosos – desde os autores do 11 de Setembro até, provavelmente, o sunita EI.

Tudo se complicou ainda mais com a decisão da Arábia Saudita, Egipto e outras monarquias árabes de hostilizarem abertamente uma dessas monarquias, o Qatar, alegadamente por este país manter relações com o Irão, o grande inimigo dos sauditas. Trump aplaudiu o cerco ao Qatar, onde estão dez mil militares americanos numa importante base e numa altura em que a coligação liderada pelos EUA iniciou o assalto a Raqqa, capital do EI. Trump considerou, mesmo, que o cerco ao Qatar poderia ser o princípio do fim do terrorismo. Dias depois deu-se o atentado sunita em Teerão.

Como a Turquia, que também possui uma base militar no Qatar, resolveu intervir nesta crise, alegadamente para evitar que os habitantes deste pequeno país (na sua grande maioria estrangeiros) sejam esmagados pelo cerco promovido pelos sauditas, Trump veio apelar a uma resolução diplomática da crise...

Confuso? Sem dúvida, mas é o que se pode esperar de um presidente ignorante e vaidoso como Trump. Em vão se consegue encontrar no que ele diz e faz um esboço de estratégia racional e coerente.

Comentários
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  • António Costa
    09 jun, 2017 Cacém 18:54
    Trump pode não ter qualquer estratégia racional para o Médio Oriente, mas Israel tem.
  • Manuel
    09 jun, 2017 Queluz 12:17
    Com um artigo destes,hoje, não vai ter críticos.