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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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O aperitivo holandês

16 mar, 2017 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


As forças eurocépticas e xenófobas não tiveram na Holanda a vitória que impulsionaria os seus homólogos franceses e alemães.

Nas eleições de ontem na Holanda Gert Wilders, principal paladino anti-Islão, anti-imigrante e anti-UE não teve a vitória que os seus homólogos europeus esperavam para levar Marine Le Pen à presidência da França e os eurocépticos alemães a travar a política europeísta de Berlim. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, poderá formar um novo governo de coligação pró-europeu.

É uma boa notícia, embora não excelente. Para ganhar as eleições, M. Rutte adoptou uma linguagem nacionalista e, por vezes, xenófoba. Ter proibido dois ministros da Turquia de virem à Holanda falar em comícios com imigrantes turcos acabou por o favorecer. Os sucessivos insultos de Erdogan ao governo holandês reforçaram Rutte.

Podemos, assim, duvidar que a Holanda, país fundador da integração europeia e também país do compromisso e do consenso (por exemplo, entre protestantes e católicos), volte a ser o que foi.

Esperemos que nas próximas eleições francesas (presidenciais e legislativas), bem como nas alemãs (em Setembro), as forças europeístas e não xenófobas vençam nos votos mas também nas ideias.

Comentários
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  • MASQUEGRACINHA
    16 mar, 2017 TERRADOMEIO 19:18
    A linguagem nacionalista e, por vezes, xenófoba, sendo de evitar por princípio, é, também por vezes, quase inevitável. Existem realidades de facto que configuram, só e apenas, uso e abuso da tolerância alheia - e dos chamados valores politicamente corretos. Embora representando o mais alto nível já alcançado em termos de desenvolvimento social, tais valores não podem transformar-se (como só um cego não vê que tende a acontecer) numa fraqueza, numa fragilidade a ser explorada e submetida. Não há que confundir bondade com parvoíce, ou tolerância com decadência, ou pacifismo com cobardia. Há que não desistir, nunca!, dos valores que nos norteiam, mas tentar reequilibrar as coisas, enviando uma mensagem audível sobre a existência de limites. Penso que também foi isso que levou Rutte a falar como falou - e os holandeses a ouvirem-no. A atitude turca parece-me um caso exemplar da tal tentativa de uso e abuso que referi, e o histerismo da reação turca só vem comprovar como utilizam o "politicamente correto" como arma boomerang, quando os ditos limites lhes são (inesperadamente?) impostos. Serviu o caso para mostrar que não é preciso ser-se de extrema-direita uivante para se calarem hienas; e exibir-se Erdogan em todo o seu repugnante cinismo e falta de verniz. Falta colher os frutos da inclassificável política da UE, que subconcessionou milhares de refugiados nas mãos de semelhante homem. Reduzidos agora a reféns, nas mãos de um chantangista brutal. Temo, seriamente, por eles.
  • A
    16 mar, 2017 A 15:38
    Eu digo-vos uma coisa: sois tão inteligente... Dizei lá com quem vai formar governo o Partido que tão euforicamente canta vitória?? Quereis que vos avive a memória?? Então lá vai: Maioria são 76 deputados. Partido que ganhou tem 33 ou seja faltam 43. Se a ideia é excluir do governo os partidos populistas, xenófobos, radicais e blá blá, blá... Então com que ficais?? Partido socialista 14, partido do trabalho 9, partido Apelo Cristão Democrático? 19, Dá 42... Falta um Deputado! Sabeis uma coisa?? Primeiro pensai e depois vinde dizer alguma coisa, está bem??