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Opinião de João Ferreira do Amaral
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Europa federalista, ou Europa soberanista?

06 jan, 2017 • Opinião de João Ferreira do Amaral


A Europa federalista, a União Europeia, seguiu-se à Europa soberanista (as das Comunidades) em 1993, com a entrada em vigor do tratado de Maastricht. E desde então tem sido um desastre.

Como muitos outros, abomino o populismo como ideologia ou pseudo-ideologia política. É irracional, porque inventa inimigos inexistentes para melhor desviar as atenções dos cidadãos dos seus reais problemas e porque faz apelo aos piores sentimentos humanos, em particular a xenofobia. É justamente a xenofobia que torna especialmente repulsivo o actual populismo europeu. Nenhum democrata e em particular nenhum português pode pactuar com a xenofobia.

Mas ser adversário do populismo não implica esconder a verdade em relação ao que tem sido a integração nas últimas duas décadas e meia.

E a verdade é que, para a Europa, o federalismo tem sido até agora muito mais nocivo que o populismo.

A Europa federalista, a União Europeia, seguiu-se à Europa soberanista (as das Comunidades) em 1993, com a entrada em vigor do tratado de Maastricht. E desde então tem sido um desastre.

Empenhou boa parte das energias dos estados membros na criação de um gigantesco fiasco (pré-anunciado, note-se) que é a união económica e monetária. Centralizou absurdamente o poder nas instituições comunitárias, esquecendo a longa história da Europa e das democracias que a constituem. Perdeu grande parte do apoio popular de que a CEE dispunha e criou tensões políticas, económicas e financeiras graves a nível dos estados europeus, contribuindo decisivamente para a perigosa clivagem norte-sul com que hoje somos confrontados. Permitiu uma hegemonia indevida da Alemanha, fez sair o Reino Unido (e não, não considero que o voto pela saída tenha sido populista) e desarmou a capacidade da maior parte dos estados membros lidarem com a globalização.

Por último, é afinal o federalismo dogmático, surdo às vontades expressas dos eleitorados (haja em vista a fraudulenta substituição do rejeitado tratado constitucional pelo actual tratado de Lisboa) que tem sido, embora involuntariamente, o grande alimento do populismo.

Impõe-se por isso substituir a Europa federalista e retomar o caminho, que nunca deveria ter sido abandonado, da Europa soberanista.

Comentários
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  • Eduardo Rocha
    22 jan, 2017 Lisboa 20:27
    Mas o objectivo dos senhores do mundo (Clube Bilderberg e afins) é "evoluir “ ainda mais (depois de terem “evoluído” dos Estados Soberanos Independentes para a criação de blocos regionais como a UE) para uma NOVA ORDEM MUNDIAL assente na criação de uma espécie de GOVERNO MUNDIAL DITATORIAL com: Governo único, Constituição única, Moeda única, Exército único… Tal ditadura mundial possibilitaria que os senhores do mundo (1%) se tornassem ainda mais poderosos e ricos à custa da restante população mundial (99%) cada mais escrava e pobre!
  • j
    07 jan, 2017 al 17:36
    Há que optar para a via nacionalista a fim de acabar com o exagero dos Eurocratas e dar mais estabilidade à Europa , e assim se vai mantendo a Europa por uma via mais enriquecedora .
  • Dias
    07 jan, 2017 milharado 15:38
    Cuidado...isso é o que a "extrema -direita populista" há muito defende.
  • António Lopes
    06 jan, 2017 Lisboa 23:49
    Entrámos na Europa para sacar dinheiro aos outros, modernizar a economia, progredir não faz parte das nossas intenções ...
  • MASQUEGRACINHA
    06 jan, 2017 TERRADOMEIO 21:04
    Subscrevo, e faço minhas as palavras do comentador Victor. Não seria possível explicar-nos alguma coisa sobre o tipo de relação que existe entre a coroa dinamarquesa e o euro, e se uma relação desse tipo teria alguma aplicabilidade numa UE tornada mais razoável? E, afinal, porque não sai a Alemanha do euro? Não lhe seria mais favorável?
  • victor
    06 jan, 2017 lx 13:45
    Correcto, lúcido e simples.Todos percebem.É pena não aparecer mais a público a defender estas ideias...a zona euro é um cancro ...
  • Carlos
    06 jan, 2017 lx 12:36
    Uma Europa soberanista onde cada país faz o que quer, gasta o que quer, e depois os alemães, que são todos ricos, que paguem a fatura.
  • CF
    06 jan, 2017 Beja 11:21
    O Tratado de Maastricht é o ponto de viragem e perturbação. Tentou corrigir-se depois acenando com o princípio da subsidiariedade. Os novos estados membros de 2004 estranharam voltar a ser condimentos de tão farto caldo de nacionalidades. Quase se poderia usar o adágio: mais olhos que barriga. Mas não se pode atirar fora o “bebé” com a água do banho. Já está crescido. Resta o bom senso para a sua educação.