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Opinião de João Ferreira do Amaral
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Fomos enganados!

01 jun, 2018 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Os que se deixaram enganar (e também os outros) têm razão em se indignar, principalmente porque, em nome do euro e, na maior parte das vezes, sem referendo prévio, políticos com poucos escrúpulos democráticos sacrificaram brutalmente a soberania dos seus países para satisfazer quimeras ideológicas ou meia dúzia de poderosos interesses financeiros.

Em vários dos países da zona euro, surgem agora gritos de indignação como o que escrevemos no título, a propósito do que foram as promessas e os resultados da moeda única. Os que se deixaram enganar (e também os outros) têm razão em se indignar, principalmente porque, em nome do euro e, na maior parte das vezes, sem referendo prévio, políticos com poucos escrúpulos democráticos sacrificaram brutalmente a soberania dos seus países para satisfazer quimeras ideológicas ou meia dúzia de poderosos interesses financeiros.

- Foi-nos prometido que o euro iria ser um grande impulsionador do progresso económico da Europa, mas a verdade é que das grandes regiões mundiais a zona euro foi a que cresceu menos (e cresceu muito pouco) e o crescimento dos países europeus fora do euro foi superior ao dos países do euro;

- foi-nos afiançado que o euro reforçaria a coesão entre os estados membros da União Europeia e o resultado é que aumentaram perigosamente as clivagens norte-sul, este-oeste e entre países do euro e fora do euro, levando à saída do Reino Unido;

- foi-nos garantido que o euro iria iniciar uma era de grande estabilidade na Europa e o resultado foi que quase não se passa um mês sem que exista a perspectiva duma crise política ou financeira relacionada com o euro;

- foi-nos jurado a pés juntos que o euro iria promover a convergência real entre os estados da União e o resultado foi que a divergência se aprofundou fortemente;

- foi-nos afirmado peremptoriamente que o euro nos iria proteger dos mercados financeiros e o resultado é que, hoje, os burocratas comunitários insultam os eleitorados por não votarem de acordo com o que os mercados querem.

Muitos temem que a crise do euro leve ao fim da União Europeia.

Não, caros amigos, é exactamente o contrário.

Foi o euro que desgraçou a Europa.

Comentários
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  • Vendilhões da Pátria
    05 jun, 2018 Lisboa 09:06
    O mais grave é que em Portugal ainda continua a haver muitos políticos, muitos comentadores, muitos economistas e muitos mais alarves em escrúpulos que continuam a defender e a tentar fazer ver que a saída de Portugal do euro seria o fim do mundo. Está mais que provado que com a saída do euro, devidamente preparada, o prejuizo imediato de perda de poder de compra dos portugueses em cerca de 30% seria totalmente recuperado ao fim de cinco anos possibilitando posteriormente todo um crescimento econômico como Portugal enquanto fizer parte do euro nunca terá. Ao longo dos quase novecentos anos da nossa história sempre tivemos vendilhões da Pátria nunca tivemos tantos como nós últimos quarenta anos. Quase todos bem identificados.
  • Fernando Machado
    02 jun, 2018 Porto 19:57
    Muito bem escrito e de maneira a que nem só os "dotores" em Inconomia percebam. É preciso que todos percebam a ratoeira em caímos . É a vida, como dizia o outro...Parabéns Doutor.
  • MASQUEGRACINHA
    01 jun, 2018 TERRADOMEIO 16:25
    Tem toda a razão - descreve factos, e contra factos não há argumentos. Chegados aqui, a este estado de desastre há muito anunciado, a questão maior não será estarmos, os povos europeus, de mãos e pés atados, reféns do euro? O inconsciente colectivo, o mesmo que (re)começa a medir os prós e contras da soberania versus o centralismo autoritário, burocrático e dominado por interesses de Bruxelas, não temerá, acima de tudo, a desordem da saída do euro? Em termos práticos: actualmente, o resultado de um referendo sobre a pertença ou não à UE, será sempre incerto; já o resultado de um referendo sobre a saída do euro será, muito provavelmente, pela permanência. Veja-se o caso grego, em que foi usada a chantagem da saída automática do euro, caso saíssem da UE - e eles por cá continuam, na UE e no euro, carregando a sua cruz. Ou veja-se o caso italiano, em que nem os partidos desalinhados se atreveram a manter putativos referendos sobre o euro nos seus programas... para não assustarem o povo, que quer soberania, mas também quer euro. E isso já se viu que Bruxelas só permitirá por cima do seu cadáver. Creio que toda a estrutura do euro foi concebida e montada para chegar exactamente aqui onde estamos: sem alternativas nem saídas, lutando por migalhas, num espécie de jogo de seleção natural viciado à partida, em que só os fracos lutam entre si.