O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Venezuela, país de emigrantes

22 mai, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A crise económica, social e política na Venezuela não cessa de se agravar. As “eleições” nada adiantaram.

A Venezuela era tradicionalmente um país para onde emigravam muitos estrangeiros. Os portugueses, vindos sobretudo da Madeira, chegaram a ser cerca de meio milhão naquele país. Hoje serão menos, pois muitos regressaram por causa da tremenda crise económica, social e política que a Venezuela atravessa.

Calcula-se que, em média, 5 mil pessoas saiam da Venezuela por dia, com destino à Colômbia, Brasil e outros países sul-americanos. Hoje haverá 1,600 milhões de venezuelanos a viver no estrangeiro, contra 700 mil em 2015, quando a crise já era aguda.

As eleições de domingo passado, ganhas por Maduro, como não podia deixar de ser, nada melhoram a situação trágica da Venezuela. Aliás, mais de metade dos eleitores não votou no domingo, o que indica a fraca confiança no futuro da maioria da população. Há quem fale em dois terços de abstencionistas.

O regime de Maduro pouco tem de democrático. Eleições como estas não são justas nem livres – antes do 25 de Abril, em Portugal, também havia eleições, mas nem por isso o país era democrático. Nações latino-americanas como o Chile e o Panamá não reconhecem como válidos os resultados eleitorais de domingo. Mas a oposição a Maduro também tem culpas no cartório, pois permanece dividida, o que lhe retira força.

Maduro considerou “impecável” a eleição de domingo. Segundo informa o “Le Monde”, uma eleição onde os votantes adeptos do movimento criado por Maduro, “Somos Venezuela”, ao votarem, mostravam o seu “caderno da pátria”, para receber pontos. Estes pontos determinam que apoios sociais cada um irá receber...

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Bruno Vieira
    25 mai, 2018 Setúbal 18:51
    «Eleições como estas não são justas nem livres – antes do 25 de Abril, em Portugal, também havia eleições, mas nem por isso o país era democrático.» Comparar a situação portuguesa vivida antes do 25 e Abril com as eleições na Venezuela é um grande erro. O senhor deveria tentar perceber melhor a situação, em vez de copiar tudo aquilo que é dito nos noticiários a mando de Washington e União Europeia. Infelizmente, a dificuldade de um oportunista como o senhor é demasiado evidente. Fica a ideia de um cão a lamber as botas do patrão (cheias de porcaria).