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Opinião de João Ferreira do Amaral
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​O protectorado europeu

18 mai, 2018 • Opinião de João Ferreira do Amaral


É fundamental não nos deixarmos embalar por este novo canto de sereia, que se destina fundamentalmente a transferir muito dinheiro para a Comissão Europeia.

Uma nova teoria relativa ao que deve ser o futuro da União Europeia, vai ganhando peso na burocracia comunitária, aproveitando uma deixa do Presidente Macron.

Mas comecemos pelo princípio.

Macron, em relação ao futuro da União Europeia, revela-se um federalista extremado. Defende, ou diz defender, uma soberania europeia. Como no mesmo espaço não podem existir duas soberanias, o que realmente propõe é que os estados membros deixem de ser soberanos e que, portanto, no essencial, cedam a sua soberania às instituições europeias.

Estou convencido que, felizmente as chances de Macron prosseguir com este dislate são praticamente nulas, inclusive dentro da própria França.

Mas a Comissão Europeia não desarma. E aproveitando a estapafúrdia ideia de Macron vem agora propor um protectorado europeu. Ou seja, os Estados-membros deveriam transferir os seus poderes principais para as instituições europeias para a União os poder proteger dos perigos deste mundo.

A Comissão entende, pois, que os estados membros devem-se tornar protectorados, à semelhança dos sultanatos que eram “protegidos” pela Inglaterra ou a França no século XIX.

Pode dizer-se que estamos aqui face ao que é normal nas burocracias, ávidas de dinheiro e de poder e que tudo fazem para os obter se não forem impedidas a tempo. É verdade. Mas este caso torna-se especialmente perigoso, porque é agitado o argumento do medo. São empolados os riscos mundiais e não há mínima explicação de como é que a União pode proteger melhor os europeus desses perigos que os próprios estados.

Sabemos aliás como a moeda única - que nos foi vendida como um guarda-chuva protector - nos protegeu, a nós e à Grécia, da crise.

É fundamental não nos deixarmos embalar por este novo canto de sereia, que se destina fundamentalmente a transferir muito dinheiro para a Comissão Europeia, quinta-essência do centralismo europeu.

Os ingleses compreenderam-no muito bem e por isso estão de saída.

Os que ficam, no mínimo, deviam interrogar-se: havendo 193 estados soberanos no mundo, por que razão só os 27 estados europeus que restam não têm direito a ser soberanos?
Porque Macron e a Comissão não querem?

Ora, ora…

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  • MASQUEGRACINHA
    18 mai, 2018 TERRADOMEIO 16:06
    Não lhe encontro hoje o habitual brilho argumentativo - diria mesmo que parece escorregar-lhe o pé para uma chinela demagógica, em que não o reconheço. Vai desculpar-me, mas parece bitaite de cervejola e tremoço essa do "só nós é que não temos o direito". Na contabilização dos países soberanos, sabe muito bem que muitos há que, coitados, de soberania só se for na bandeira. E outros existem que encontraram formas de federação ou co-federação que lhes permitem aproveitar o melhor de dois mundos. Afinal, soberania em sentido forte é coisa de um passado irrecuperável, não é verdade? Poderia, e talvez devesse, ser uma forma de co-federação o caminho da Europa - não se desse o caso de o polvo da UE ser o que de facto é e insiste em ser, apesar dos anticorpos e desconfiança que generalizadamente provoca. A UE é um acto falhado, tão irrecuperável como a mítica soberania de outros tempos. Portanto, concordo que mais vale salvar a possível soberania do que abdicar dela em nome dos interesses dos mais fortes - isso só nos conduziria a assumirmos, sem escapatória possível, um pré-designado papel de bolsa de mão de obra barata, portos acessíveis, turismo e retiro de reformados de classe baixa (tipo Inatel da Europa), banca centralizada (leia-se espanholizada), fonte eterna de rendimentos de uma dívida impagável. Tudo o que já somos, é certo, mas ainda com alguma coisa a dizer. Perante a solução Macron-Merkel, a soberania, mesmo sempre à rasca, é sem dúvida um mal muitíssimo menor.