Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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UE: o problema húngaro

09 abr, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A violação de valores europeus na Hungria irá acentuar-se. A UE não pode continuar a olhar para o lado.

Ontem, Viktor Orban conquistou a sua terceira, e sucessiva, vitória eleitoral na Hungria. Prevê-se que se acentue o carácter “iliberal” do regime húngaro (foi assim que o primeiro-ministro o classificou em 2014, com orgulho).

Depois de oito anos no poder, a “democracia” de V. Orban será ainda mais autoritária, populista, anti-muçulmana e anti-semita, xenófoba e hostil a imigrantes. Irão multiplicar-se os ataques à liberdade de expressão, à independência da justiça, a organizações da sociedade civil como ONG, aos partidos da oposição, etc.

Na campanha eleitoral para o parlamento de Budapeste V. Orban tornou claros os seus ódios de estimação: os imigrantes e as alegadas interferências da UE no seu país – exceto os apreciáveis fundos que recebe de Bruxelas, equivalentes a 3,4 % do PIB da Hungria, chegando nos melhores anos aos 6%.

Certamente por causa deste dinheiro, V. Orban não afronta diretamente a Europa comunitária; por exemplo, a Hungria foi um dos países membros da UE que expulsou diplomatas russos, apesar da simpatia com que Orban fala de Putin e com ele coopera.

Mas a tolerância da UE para com este regime que não respeita o património europeu de valores não pode prolongar-se indefinidamente, sob pena de a integração europeia se tornar uma farsa. Até porque o dinheiro europeu se encaminha preferencialmente para aliados políticos de Orban – é o que o governo húngaro designa de “patriotismo económico”.

Já o último número do semanário britânico “The Economist” acusa a Hungria de Orban de ser uma cleptocracia autoritária, que favorece os leais ao regime com fundos europeus.

Lamentavelmente, o Partido Popular Europeu (PPE), onde se encontra o partido de Orban e a maioria dos partidos de direita dos Estados membros da UE representados no Parlamento Europeu, evita criticar o regime húngaro. E o PPE conseguiu, em 2014, travar uma investigação da Comissão Europeia ao Estado de direito na Hungria.

Já a Polónia, governada pelo partido PiS (Direito e justiça), que não integra o PPE mas um grupo parlamentar eurocético, viu em Dezembro ser-lhe aberto um procedimento previsto no art.º 7º do Tratado da UE, sobre um “risco claro de violação grave” dos valores europeus. Ora essa violação não é mais séria na Polónia do que na Hungria.

Comentários
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  • Vasco
    09 abr, 2018 Santarém 23:14
    Mais um balde de água fria na política europeia que cada vez mais irá apanhar disto ao pretenderem fazer da Europa um celeiro multirracial!.
  • Guilherme Leite
    09 abr, 2018 Lisboa 19:29
    Por cá, ainda não obtivemos a crítica dos partidos da direita em relação a Orban. Convenha elogiar as boas palavras de um fascista, como é Sarsfield Cabral, em criticar Orban. Só lhe fica bem.
  • João Lopes
    09 abr, 2018 Lisboa 14:27
    Com este artigo, tentou disfarçar que os seus amigos da direita em Portugal estão ligados ao PPE. Foi boa a tentativa, professor, mas aqueles que o lêem e se interrogam cada vez mais se apercebem das suas fraquezas como escritor.
  • Pais Nacionalista
    09 abr, 2018 lisboa 11:56
    Não vejo nenhum problema, antes pelo contrário. É preciso mais povo a votar no Nacionalismo, só assim garentem a sua soberania e futuro. Pena que cá os média estão a fazer o que podem para abafar o PNR, mas como diz o outro, não podem enganar toda a gente todo o tempo. O povo está farto de corruptos, e politicos pró europa (deste tipo de europa não a que o PNR defende).
  • Paulo Fonseca
    09 abr, 2018 Paço D'Arcos 10:12
    Esqueceu-se de mencionar que entre os partidos que integram o PPE (europeu) estão os seus queridos e admirados PSD e CDS-PP. Por isso, é estranho que se sinta tão irritado e preocupado com o partido de Orban. Na verdade, todos no PPE comungam dos mesmos valores.