Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​A principal reforma de Rio

19 fev, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Um partido reformista e guiado pelo interesse nacional parece ser o objectivo do novo líder do PSD. Mas há dúvidas.

A oposição interna a Rui Rio tem sido muito falada. Compreende-se essa hostilidade, mais ou menos disfarçada. É que Rio está consciente da decadência dos partidos políticos, o que é desconfortável para o aparelho do PSD. Rui Rio foi claro quanto ao afastamento dos cidadãos em relação aos partidos, que cada vez mais (palavras minhas) têm evoluído para uma espécie de agências de empregos e de facilitadores de outras benesses.

Rio até citou Sá Carneiro e o seu princípio “primeiro Portugal, depois o partido”, princípio que parece hoje um tanto esquecido. Quando foi secretário-geral do PSD Rui Rio liderou em 1996 um processo moralizador da vida do partido – a refiliação de militantes. O que lhe valeu muitos anticorpos.

Por isso Rio não estranhará que a reforma do PSD que ele pretende lhe suscite numerosas resistências internas. Nesse enfrentamento o exemplo de Sá Carneiro pode ser inspirador. Em Junho de 1978 o grupo parlamentar do PSD dividiu-se praticamente a meio numa votação. Dessa insólita divisão, a que assisti pessoalmente, como jornalista, na Assembleia da República, nasceria uma dissidência do partido, as chamadas “opções inadiáveis”. Sá Carneiro não se perturbou. No ano seguinte, com o CDS, o PPM e os chamados reformadores ganharia as eleições.

Claro que Rui Rio não é Sá Carneiro e que as circunstâncias de hoje são muito diferentes das de há quarenta anos. Mas se Rio conseguir fazer do PSD um partido respeitável, reformista, não populista e não demagógico, guiado pelo que entende ser o interesse nacional e não por carreirismos e meros tacticismos, os portugueses voltarão a apoiá-lo. Veremos se Rio terá a força e a coerência das suas anunciadas convicções. A inclusão, como sua colaboradora próxima, de uma ex-bastonária da Ordem dos Advogados que se destacou pelo populismo e pela demagogia, provoca perplexidade.

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