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Opinião de José Luís Nunes Martins
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Somos uma obra-prima em construção

12 jan, 2018 • Opinião de José Luís Nunes Martins


Somos o que nos esforçamos por ser, mas somos também o resto. Somos o ponto em que ainda estamos e o que fomos fazendo até aqui, de bom e de mau.

Não somos o que pensamos ser. Os heróis e os cobardes não costumam ter consciência de que o são. Outros são ambas as coisas em aspetos diferentes da vida e terão ideia de ser sempre apenas uma.

Apesar de tudo, o que pensamos sobre nós é bem mais importante do que aquilo que os outros pensam.

Somos o que nos esforçamos por ser, mas somos também o resto. Somos o ponto em que ainda estamos e o que fomos fazendo até aqui, de bom e de mau.

Não somos o que os outros veem, nem a opinião que formam a nosso respeito. Não somos os nossos segredos e mistérios, somos as nossas obras e as nossas escolhas. Os nossos valores que colocamos em prática. Há quem perca muito tempo a olhar para si mesmo e não veja estas evidências.

É quando nos damos que somos. Quem ousa amar e arrasar o egoísmo e o orgulho que corroem todos aqueles que julgam que é recebendo que se fazem mais ricos, é feliz e tem paz, mesmo quando as circunstâncias não estão a seu favor.

O interior acaba por se refletir no exterior, pode passar tempo, por vezes anos. Da mesma forma como mudamos ao longo dos anos, as pessoas tendem, com o tempo, a revelar-se como são. Afinal, o interior é a raiz e a força que anima o exterior. Por mais que se possa tentar dissimular, acaba por se manifestar.

É um bom caminho para conhecermos alguém avaliar o que ama e o que o irrita.

O que somos não está no fundo de nós mesmos, não acedemos ao conhecimento da nossa identidade através de uma contemplação interior. O que somos está na nossa deslocação para o fundo do outro, na intensidade e na verdade que colocamos de cada vez que nos damos.

Haverá sempre um dia em que todos os contornos da nossa verdade mais autêntica aparecem, de forma muito clara, diante dos nossos olhos. Para uns é um excelente momento, para outros não.

Comentários
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  • Nuno Marques
    13 jan, 2018 RONFE 09:43
    GOSTO DA RENASCENÇA É A MINHA COMPANHIA TODOS OS DIAS
  • MASQUEGRACINHA
    12 jan, 2018 TERRADOMEIO 16:57
    Citando-o: "Não somos os nossos segredos e mistérios, somos as nossas obras e as nossas escolhas. Os nossos valores que colocamos em prática.", e "Afinal, o interior é a raiz e a força que anima o exterior. Por mais que se possa tentar dissimular, acaba por se manifestar.", o que diz parece-me algo contraditório nos seus termos - afinal o que é que é suposto sermos? As nossas obras e escolhas, valores colocados em prática, não nascem desse interior, raiz e força que anima o exterior, interior onde se situam também (até exclusivamente) os nossos mistérios e segredos? Sendo alguém interiormente egoísta, mas praticando conscientemente o altruísmo, o que é ele afinal? Egoísta ou altruísta? É o segredo ou a obra visível que nos define? Parece-me que acertaria na mouche no último parágrafo se a possibilidade de alguém conhecer a sua "verdade mais autêntica" fosse possível. Mas não é. Nem a imperfeita memória, nem a complexa estrutura da personalidade humana permitem tal objectividade. Temos que nos contentar com ir vivendo com a integridade possível, e com a auto-consciência possível.