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Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Sarcasmo?

17 mar, 2017 • Opinião de João Ferreira do Amaral


A União Europeia levou a Europa para um caminho desastroso que pode desembocar em novos abismos. É por isso urgente substituir esta pseudo-união por um novo projecto que não se faça contra as democracias nacionais,forçando um federalismo utópico.

A União Europeia vai definhando penosamente, irreversivelmente. Está longe de ser uma surpresa. Criada em 1992, baseava-se num projecto sem quaisquer condições para funcionar bem que era (e ainda é) a união económica e monetária.

Criação espúria, que misturava na sua génese concepções federalistas com uma combinação de neoliberalismo primário e monetarismo, a União destruiu economias, aumentou o desemprego, humilhou estados, subverteu as autonomias nacionais, reforçou o poder de mega-instituições desligadas das populações, debilitou profundamente o funcionamento das democracias que a compõem. Também de forma igualmente previsível, foi, por isso, a grande responsável pelo ressurgir dos movimentos xenófobos e racistas.

Ao substituir a CEE, que, com os seus problemas, foi o projecto mais equilibrado de cooperação entre os estados europeus que a História regista, a União Europeia levou a Europa para um caminho desastroso que pode desembocar em novos abismos.

É por isso urgente substituir esta pseudo-união por um novo projecto que não se faça contra as democracias nacionais, forçando um federalismo utópico, nem seja desenhado para servir os interesses do(s) estado(s) dominante(s).

Curiosamente, nenhum dos cincos cenários de futuro(?) preparados pela Comissão Europeia contempla a possibilidade de a Europa avançar para um novo projecto. Não admira: nenhuma instituição burocrática propõe reduções do seu próprio poder e há a consciência que tal projecto terá de passar necessariamente por uma devolução de poderes aos estados. Poderes em má hora centralizados pela União nas instituições comunitárias.

Claro que no nosso país não faltaram vozes que se julgam ainda em 1986 para vir defender que o que é preciso é Portugal continuar na primeira linha da integração. Face ao que tem sido a dolorosa experiência portuguesa e ao que são hoje as realidades europeias, tal defesa do pelotão da frente pode ser entendida como sarcasmo.

Mas não, não é sarcasmo. As nossas elites europeístas é que não dão para mais.

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Comentários
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  • J. Santos
    20 mar, 2017 Lisboa 13:35
    Os paises do euro não podem endividar-se a seu bel-prazer em nome de uma pseudo-soberania e depois ficar à espera da Alemanha para lhes acudir. Recebemos milhões em euros em ajudas e programas de desenvolvimento que deviam ter sido melhor aproveitados. Sugar dinheiro aos paises mais ricos não é solução, temos de progredir economicamente e assim conquistar a verdadeira soberania. A nossa soberania deve assentar na nossa capacidade de produzir riqueza. O resto é conversa.
  • MASQUEGRACINHA
    19 mar, 2017 TERRADOMEIO 18:09
    O articulista descreve a situação e seus intervenientes de maneira absolutamente realista: só não o vê quem não pode ou não quer. Suspeito que, com a tempestade que se avoluma dos lados da Turquia, soprada pelos ventos da Rússia, acalentada por "exits" e maçãs podres como a Polónia e a Hungria, nos deixaremos todos de sarcasmos e cegueiras, talvez mais cedo do que alguma vez imaginámos. A UE é um lamentável acto falhado, em toda a linha: excepto o serviço prestado ao interesse do estado dominante - cito, sem ( ), que de facto não são necessários. E, como o articulista bem realça, nada leva a crer que a estupidez/interesse/obesidade burocrática dominante abra os olhos antes que seja tarde de mais. Pelo contrário.
  • Augusto Saraiva
    19 mar, 2017 Maia 09:03
    Mas então, "Sô Tor", qual é a solução? Rebentar com tudo ou esperar que apareçam novas elites europeístas que possam dar mais e melhor?!...
  • Indignada
    18 mar, 2017 Fig. da Foz 22:45
    Bom artigo. De facto, a Europa está definhando..., por culpa de gananciosos políticos por um lado e de corruptos servos (caso dos portugueses) por outro lado, que queriam uma federalização contra a opinião e vontade dos povos, razão pela qual, não foram consultados!
  • Pedro
    17 mar, 2017 Lx 10:30
    Que bom seria o sr Amaral, respaldado numa vida e ordenado de Funcionario Publico pago por mim e outros, tentar mudar de cassete.
  • Carlos
    17 mar, 2017 lx 08:45
    Se as democracias nacionais votam contra as reformas, o controlo da dívida, a competitividade mas votam a favor da continuação da dependência do BCE é difícil compreender que soberania será a nossa. E com o nível de rating em lixo não há soberania que resista.