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Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Feitiço contra o feiticeiro

10 nov, 2017 • Opinião de João Ferreira do Amaral


O orgulho de pertencer a um dado estado é considerado depreciativamente. O termo “identitário”, por exemplo é quase equiparado a “fascista” pelo federalismo europeu.

As autoridades europeias, em particular a Comissão, mas também o Parlamento Europeu mantêm uma sistemática acção de descrédito dos Estados-membros.

Percebe-se, em particular para a Comissão, que isso suceda. É uma forma de valorizar os seus poderes, tentando demonstrar aos cidadãos dos estados que estes não actuam suficientemente em seu benefício e que são as instituições comunitárias que, impolutas e generosas, espalham a sua bondade pela Europa. Usando, claro, o dinheiro dos Estados. E quando necessário, qual mãe extremosa, a Comissão põe na ordem os estouvados estados - principalmente os de menor dimensão.

Nada de mais. São comportamentos próprios das burocracias quando, pouco avisados, lhes cedemos poderes excessivos, como é o caso da União Europeia. O rol de actuações que pretendem reduzir a lealdade dos cidadãos aos respectivos estados é grande e diverso: “a Europa das regiões”, os programas transfronteiriços, as sanções aos estados em dificuldade financeira, etc., na sua diversidade têm uma coisa em comum: é a mensagem que os estados, verdadeiramente, não se sabem governar e que portanto é necessário reforçar os poderes dos níveis regionais abaixo do nível estatal e dos poderes europeus acima desse nível, enfraquecendo os estados. A velha e obtusa ideia da Europa forte formada por Estados fracos.

O orgulho de pertencer a um dado estado é considerado depreciativamente. O termo “identitário”, por exemplo é quase equiparado a “fascista” pelo federalismo europeu, como se fosse um crime alguém comungar da identidade do estado a que pertence.

O problema é que o caso da Catalunha está a demonstrar que este tipo de propaganda de depreciação dos estados está a dar resultado, mas está a virar o feitiço contra o feiticeiro. E agora, aqui d’el rei, teme-se que desfazer estados historicamente sedimentados possa levar ao fim da União e talvez ao fim da paz na Europa.

O que é verdade, mas quem semeou os ventos?

Comentários
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  • Carlos
    11 nov, 2017 Lx 07:15
    Sem diretivas europeias, sem transposições de leis europeias em muitas áreas seríamos um país muito mais atrasado, as nossas praias seriam lixeiras, o ar poluído, etc. com orçamentos do Estado a pensar somente no imediato em vez de apostarmos em reformas ambiciosas, podemos dizer que não nos sabemos governar.
  • emigrante
    10 nov, 2017 Londres 23:40
    A comissão europeia, só repete o que os estados fazem, quando uma empresa ou família não cumpre com as suas obrigações fiscais o estado penhora os seus bens pondo muitas das vezes a sobrevivência dessas empresa ou famílias que muitas vezes são despejadas das suas casas. Quando o estado não paga aos fornecedores, que moralidade tem para criticar ou exigir que os contribuintes lhes paguem, talvez fosse isso que devesse preocupar o Sr. ferreira do Amaral, o povo não está muito interessado em quem manda, está mais interessado em alguém saiba mandar.
  • Jose Ferreira da Sil
    10 nov, 2017 Bruxelas 15:16
    A comissão europeia tem poderes a mais, e tiques Napolionicos. Por isso o Reino Unido quer sair . Juncker criou os rullings no Luxemburgo e aparece agora a atacar os nacionalismos , como se estes fossem a causa de todos os males. Não existe solidariedade europeia. E os europeus não são todos iguais .
  • Sai palha
    10 nov, 2017 Lisboa 11:42
    No meio de tantos a zurrar que haja alguém que destoa. Como é óbvio os comentadores avençados não vão gostar do artigo.