Henrique Granadeiro está acusado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, após o Ministério Público sustentar que este recebeu cerca de 24,5 milhões de euros através da Espírito Santo Enterprises, o alegado “saco azul” do BES, entre 2007 e 2012.
Advogado Paulo Sá e Cunha considerou não haver indícios que a compra por Sofia Fava do Monte das Margaridas, no Alentejo, mediante financiamento bancário e alguns empréstimos do arguido Carlos Santos Silva, que serviram para sinalizar a compra, configurem branqueamento de capitais.
Advogado Tiago Rodrigues Bastos declarou que o crime de corrupção "não tem ponta por onde se pegue" e que "houve batota" na distribuição do inquérito da Operação Marquês, devendo tal vício ser "expurgado" nesta fase de instrução.
O procurador, que falava no debate instrutório do processo Operação Marquês, respondia assim às dúvidas suscitadas pelo empresário e arguido Carlos Santos Silva no Requerimento de Abertura de Instrução (RAI) sobre a escolha pelo MP da Autoridade Tributária e não da PJ, como colaborador na investigação.
Esta quarta-feira, à entrada para prestar novas declaração ao juiz Ivo Rosa, na fase de instrução, Sócrates afirmou aos jornalistas que o que se passou agora com as suspeições sobre a atribuição de processos no Tribunal da Relação de Lisboa é um episódio que já tinha acontecido na Operação Marquês.
Antigo primeiro-ministro pediu para ser ouvido antes de arrancar a fase instrutória do processo. À saída do tribunal, acusou o Ministério Público de lhe fazer "perguntas ridículas".
“As suspeitas que existem na viciação de processos na Relação são exatamente as mesmas que existiram na Operação Marquês”,alega o antigo primeiro-ministro, considerando que, na altura, o processo foi entregue pelo Ministério Público ao juiz Carlos Alexandre “sem que tenha havido sorteio”.