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Em isolamento, como mandam as autoridades, mas atento ao que se passa na diocese, o bispo de Beja não esconde que o que mais o preocupa na diocese “é a questão dos lares. Porque temos alguns, não são muitos, mas isso dá que pensar. Tenho falado com responsáveis de centros sociais, e realmente vejo que as pessoas estão a levar muito a sério esta situação de pandemia”.

D. João Marcos confia nas medidas preventivas que estão a ser tomadas, e na colaboração da população, que está a cumprir as regras de confinamento.

“Estamos no campo, estamos neste Alentejo profundo, apesar de termos as cidades, são cidades relativamente pequenas, comparando com outras do litoral. As pessoas conseguem ultrapassar estas situações”, refere o bispo, admitindo que o isolamento não é uma coisa estranha para muita gente no Alentejo. “Pois não. Ainda há muita gente a viver no Monte”.

À semelhança de outras dioceses, Beja também já disponibilizou instalações para o que for preciso. “Já fomos contactados e respondemos positivamente. Temos dois seminários com algumas camas que estão disponíveis para quando forem necessárias”, indica D. João Marcos, confirmando que também estão atentos às dificuldades da população mais necessitada, que se prevê que aumentem no pós-pandemia “Há pobres que batem à porta aqui várias vezes. Temos a Cáritas diocesana, que tem trabalhado bastante bem, mas é uma situação nos está a preocupar muito também”.

Num esforço de proximidade para com os fiéis, também em Beja as principais celebrações da Semana Santa vão ser transmitidas com recurso aos meios digitais, refere ainda o bispo, que acredita que a atual crise ajudará mais pessoas a aproximarem-se de Deus, e a repensarem os seus valores e o seu modo de vida.

“Peço ao Senhor que as pessoas caminhem e se ajudem nesse sentido”, porque se em condições normais “parece que o tempo não chega para tudo, e muitas vezes o que fica para trás são as coisas mais importantes, então agora as pessoas podem voltar-se mais para o importante, que é a qualidade dos seus relacionamentos uns com os outros, que depende basicamente, e primeiro que tudo, da qualidade do relacionamento com Deus”.