O presidente da Associação Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, que em fevereiro tinha sido nomeado conselheiro do Papa Francisco na área da dignidade humana, foi afastado do cargo.

“Depois de alguns meses, tendo em conta a publicação de vários artigos de media portugueses assim como uma mais aprofundada avaliação do trabalho científico do professor no tocante ao tema do fim da vida, a Academia chegou, de completo acordo com o próprio professor Rui Nunes, à revogação da nomeação através duma carta que o presidente desta Academia assinou e enviou ao catedrático português”, lê-se na página da Academia Pontifícia para a Vida, organismo que tem como missão o estudo, informação e formação sobre problemáticas ligadas às ciências biomédicas e ao direito relativas à promoção e defesa da vida.

“Estamos, de qualquer maneira, certos de que poderá haver mais oportunidades para trabalharmos juntos sobre relevantes temas de bioética que futuramente se apresentarem, mesmo que com diferentes visões e bases antropológicas e teológicas”, refere a mesma nota.

Em resposta à decisão da Academia Pontifícia para a Vida, Rui Nunes diz em comunicado que se entendeu “que era mais profícua uma colaboração mais informal” em que mantém ”toda a sua liberdade e independência na defesa de problemas candentes da bioética contemporânea, designadamente a defesa do testamento vital, a implementação de políticas de Igualdade de Género, ou a aplicação das mais modernas tecnologias de procriação medicamente assistida”.

Além de médico e professor catedrático na Faculdade de Medicina, na Universidade do Porto, Rui Nunes é coordenador do Departamento de Investigação da Cátedra de Bioética da UNESCO, membro do Conselho Médico-Legal do Ministério da Justiça e membro da Comissão de Ética do Instituto Nacional de Medicina Legal.

Assim que foi conhecida a nomeação para a Academia Pontifícia para a Vida, a mesma foi contestada por várias personalidades ligadas à Igreja em Portugal, incluindo vários médicos, que consideraram que as posições públicas de Rui Nunes relativamente a matérias como a eutanásia não eram conciliáveis com o cargo que era chamado a desempenhar no Vaticano.

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