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“Operação Floresta Segura” da GNR já está no terreno

“Operação Floresta Segura” da GNR já está no terreno

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21 fev, 2019 - 07:30 • Olímpia Mairos

O objetivo é alertar e sensibilizar as populações para a limpeza da vegetação à volta das edificações e estradas como forma de prevenir os incêndios florestal durante o verão.

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A Guarda Nacional Republicana (GNR) tem em marcha, em todo o território nacional, a “Operação Floresta Segura”, reforçando as ações de patrulhamento, vigilância e fiscalização das zonas florestais no âmbito da prevenção e detecção de incêndios.

Estas ações de sensibilização visam alertar para a importância dos procedimentos preventivos a adoptar nesta altura do ano, nomeadamente sobre o uso do fogo, a limpeza e remoção de matos e a manutenção das faixas de gestão de combustível, tendo em vista a redução do número de ocorrências e a minimização dos riscos de incêndio florestal.

A Renascença acompanhou, em Chaves, a apresentação da operação que juntou militares, bombeiros, sapadores florestais e autarcas.

Após a apresentação formal, as equipas seguem para o terreno e, na freguesia de Sanjurge, identificaram uma situação de falta de limpeza em torno do edificado, uma casa de turismo de habitação, onde se encontra um depósito de gás, um problema que já se arrasta desde o ano passado.

“Bom dia. Cabo António Seixas”. Feitas as apresentações, o cabo da GNR inteira-se sobre a identidade do proprietário do terreno. “O senhor é o proprietário do terreno? Tem aqui um depósito de gás… Esta é uma freguesia prioritária. Há aqui mato muito próximo. Conhece o proprietário do terreno?”, pergunta o cabo Seixas.

Jorge Teixeira informa que o terreno contíguo ao depósito de gás é de um emigrante nos Estados Unidos da América. “Esteve aqui no verão passado e, apesar de o ter alertado para a situação de gravidade da situação, até hoje não procedeu à limpeza”, relata Jorge Teixeira, expressando “grande preocupação até porque a empresa que nos fornece o gás já nos informou que só procede ao reabastecimento, se o mato for limpo”.

Aurora Teixeira, a esposa, queixa-se dos “transtornos provocados por esta situação”, acrescentado que já teve que “pagar pela limpeza de um terreno” que não é seu.

Este ano, às equipas da GNR, compostas por militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) e Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), foi entregue um ‘tablet’, através do qual é feita a georreferenciação digital dos terrenos sinalizados.

O capitão Gomes Pereira, do GIPS, realça a importância da nova ferramenta, na medida em que “permite ter uma visão abrangente daquilo que são os terrenos a nível nacional que carecem de uma gestão de combustível”.

“Através desta nova ferramenta o trabalho fica simplificado, já não há necessidade de recorrer aos ortofotomapas em papel, a organização também é melhorada e a informação pode ser mais facilmente partilhada com as outras entidades”, acrescenta o capitão do GIPS.

E em Sanjurge, a GNR verificou e registou que “não está respeitada a faixa dos 50 metros em que tem de ser feita a gestão do combustível”, afirma o capitão Bruno Antunes, comandante do destacamento territorial de Chaves.

Nesta fase da operação, a GNR faz a referenciação da situação e depois vai notificar o proprietário para proceder à limpeza até 15 março, a data estipulada por lei. Se o proprietário não cumprir, o município poderá proceder à limpeza até 31 de maio, imputando-lhe, depois, os custos.

“Esta é uma operação inclusiva, envolve todos os agentes de proteção civil. Em Chaves, vamos estar no terreno até ao dia 26, percorrendo todas as freguesias, com especial atenção para as prioritárias, e identificar todas as situações”, frisa o capitão Bruno Antunes. Segundo o comandante da GNR, “o objetivo não é levantar autos, mas que as pessoas limpem”.

As ações que estão preparadas são musculadas e visíveis, porque, entende a GNR que, “quantas mais pessoas forem envolvidas e a quantas mais pessoas chegarem, “mais eficaz e eficiente vai ser a nossa missão”.

O Comandante do Destacamento Territorial de Chaves, Bruno Antunes, lembra ainda que “a defesa da Floresta depende de todos e de cada um dos agentes de Proteção Civil, sendo que o sucesso deste desígnio nacional depende da competência, da capacidade de trabalho em equipa e mobilização, para que estas ações sejam tão abrangentes quanto o possível”.

Chaves. Um exemplo a nível nacional

Em 2018, no âmbito da operação nacional de promoção de limpeza em torno das edificações, o concelho de Chaves foi um exemplo de boas práticas preventivas, ao nível distrital e nacional, apresentando uma taxa de 90 por cento de correção relativamente às situações de não conformidade identificadas.

O capitão Bruno Antunes afirma que “Chaves foi um bom exemplo”, indicando que das “cerca de mil situações identificadas de falta de limpeza, em 900 casos os proprietários cumpriram voluntariamente e limparam os terrenos à volta das edificações”.

O presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, congratula-se com “os bons resultados” e considera que, em 2019, se têm de consolidar os “bons resultados do ano passado”.

O autarca considera que “é necessária uma consciência cada vez mais coletiva” e defende a “concentração de todos os esforços na prevenção e na proteção do bem maior que é a mãe terra, que é aquela que gera estes equilíbrios que cada vez são mais essenciais, não só na perspetiva egocêntrica do ser humano, mas também numa perspetiva equilibrada de todos os seres vivos que têm aqui o seu espaço”.

“Temos que nos unir todos em defesa deste valor incalculável, que é a floresta, porque é um valor muito maior do que a sua dimensão económica”, conclui Nuno Vaz.

Nas 39 freguesias do concelho de Chaves vão ser realizadas várias ações de sensibilização, em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega, Proteção Civil do Município, Juntas de freguesia e Oficiais de Segurança do Programa “Aldeia Segura”. Ações que também contam com a presença da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Autoridade Nacional de Proteção Civil, Bombeiros, Exército e Polícia de Segurança Pública.

No distrito de Vila Real, em 2018, registou-se uma redução de 90% na área ardida e 50% no número de ignições. Os dados disponíveis indicam que 50% das ocorrências tiveram origem em comportamentos humanos, por negligência ou de forma intencional.

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