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Enfermeiros saúdam possibilidade de receitar e prescrever

30 mar, 2014

A Ordem dos Médicos está contra. "Os médicos não podem assumir a responsabilidade do que acontecer aos doentes ou às grávidas", diz bastonário.

Enfermeiros saúdam possibilidade de receitar e prescrever
O Sindicato dos Enfermeiros considera que a possibilidade de estes profissionais de saúde virem a poder receitar medicamentos e prescrever exames “já vem tarde”.

Em entrevista ao “Diário de Notícias”, o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, diz que esta hipótese deve ser estudada sem limites, sobretudo na área da saúde materna.

Para José Correia Azevedo, do Sindicato dos Enfermeiros, esta seria uma forma de poupar recursos e tempo.

“Isto vem tarde. É um sinal positivo de que efectivamente o ministro da Saúde e quem o rodeia estão a perceber que há coisas que os médicos estão a restringir nos enfermeiros e são ilegítimas, não estão de acordo com as normas comunitárias e que finalmente, neste país, alguém está a pôr o dedo nas feridas”, diz.

Reconhecendo que a área da doença deve continuar a ser exclusivo dos médicos, José Correia Azevedo acredita que outras, como a prevenção e o acompanhamento de grávidas, podem ser executadas por enfermeiros.

Já para o bastonário da Ordem dos Médicos, esta medida seria prejudicial para os doentes, porque desestruturaria a equipa de saúde, para qual os médicos tem capacidades e responsabilidades específicas.

Jose Manuel Silva põe mesmo em causa a continuidade de Leal da Costa, a quem acusa de não se interessar pelos doentes.

“É evidentemente que se tivermos doentes a ser seguidos ora por médicos, ora por enfermeiros, os médicos não podem assumir a responsabilidade do que acontecer aos doentes ou às grávidas. Não se pode desestruturar uma cadeia de competências, conhecimentos e responsabilidades, que tem proporcionado a Portugal dos melhores indicadores de saúde do mundo. Vindo de um secretário de Estado que não tem preocupações com o que acontece aos doentes, já nada nos admira, mas penso que os próprios cidadãos portugueses não vão admitir que isso possa acontecer”, conclui.