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O alfarrabista que quase só vende Tintin

26 out, 2011 • Letícia Amorim

Alberto Gonçalves tem, na Baixa do Porto, uma loja que vende raridades ligadas às histórias criadas por Hergé, que começou a coleccionar há mais de meio século.
O alfarrabista que quase só vende Tintin
O alfarrabista que quase só vende Tintin
Alberto Gonçalves explora, na Baixa do Porto, uma loja que vende raridades ligadas às histórias criadas por Hergé, que começou a coleccionar há mais de meio século.
A porta da loja que Alberto Gonçalves, formado em Matemática, explora há sete anos na Baixa do Porto tem, por estes dias, um cartaz de promoção ao novo filme de Steven Spielberg, “As Aventuras de Tintin: o segredo do Licorne”.

É apenas mais uma referência à personagem criada pelo belga Hergé, num espaço cuja montra deixa poucas dúvidas quanto ao que ali dentro pode ser encontrado.

Livros, revistas, suplementos de publicações, DVD e produtos de "merchandising" que vão desde as figuras de Tintin e o seu fiel Milu, a protótipos do foguetão que leva o herói à lua ou dos automóveis imortalizados nos “quadradinhos” de Hergé. Muito do que diz respeito a Tintin, desde que a personagem foi criada, em 1929, está ali.

Entre as raridades que podem ser encontradas na “Timtimportimtim” estão os fascículos semanais que começaram a ser publicados como suplemento do jornal belga “Le Vingtième Siècle”. São as primeiras páginas das tiras que dariam origem aos livros das Aventuras do Tintin.

Uma colecção, diz Alberto Gonçalves, pode atingir os cinco mil euros, uma vez que tem um ano completo da publicação: 52 fascículos.


A “frescura” do herói
O empresário tinha 10 anos quando descobriu que estava apaixonado pelo “herói do século XX”, como classifica. Alberto Gonçalves explica que “era conhecido como o Tintin” pelos alfarrabistas do Porto. Era entre eles que procurava, todas as semanas, as “revistas belgas do Tintin”, que só começariam a ser publicadas em português na década de 1950.

Alberto Gonçalves conta que, nos anos 60, chegava mais tarde à escola para aproveitar os cinco minutos da série de desenhos animados da Belle Vision, baseados na personagem criada pelo belga Hergé. “Eram francamente maus, mas, para mim, eram deliciosos”, desabafa.

O empresário acredita que o novo filme norte-americano, em 3D, será bem aceite entre as camadas mais jovens que não cresceram “a ler Tintin”. Alberto Gonçalves acredita que "a frescura da personagem" garante a admiração de diferentes faxas etárias.

O filme é a oportunidade, diz ainda, para introduzir “As Aventuras de Tintin” em mercados que ainda estão por conquistar, nomeadamente o americano e o asiático.