“Dia de Portugal devia ser aniversário da Batalha de Aljubarrota”

10 jun, 2013 • Filipe d’Avillez

O jornalista, autor e comentador Octávio dos Santos considera que a vertente religiosa da sociedade está debaixo de ataque de um politicamente correcto “verdadeiramente totalitário”.
Comemora-se esta segunda-feira o Dia de Portugal, um feriado que começou na Primeira República e se consolidou no Estado Novo. Mas se coubesse a Octávio dos Santos, autor, comentador e jornalista, os portugueses esperariam mais dois meses e quatro dias para comemorar o seu país.

“O 10 de Junho começa por ser o dia de Camões. É talvez a única data que podemos associar a Camões, mas é a data da morte dele. Aquilo que me parece incongruente é que o dia de Portugal, em que devíamos celebrar a nossa existência, enquanto nação independente, seja para já a data da morte de um poeta, do nosso maior vulto literário, mas que é também a data em que Portugal perdeu a sua independência, em que a dinastia dos Felipes entra em Portugal e assume a liderança e os destinos do país”, afirma.

Em alternativa o autor sugere o aniversário da batalha de Aljubarrota: “Creio que o dia que melhor serviria seria o 14 de Agosto, da Batalha de Aljubarrota. Essa foi uma data a todos os níveis importante, em que Portugal reafirmou a sua independência, consolidou a dinastia de Avis, com tudo o que veio a proporcionar a seguir, a expansão, os descobrimentos”.

Esta e outras ideias encontram-se no livro “Um Novo Portugal”, que reúne dezenas de artigos de opinião, publicados nos mais variados órgãos de informação e blogues.

Na colectânea são muitas as críticas mas também as ideias e propostas para renovar o país, a começar por uma mudança de regime. É que para Octávio dos Santos grande parte dos vícios de que a nação padece radicam no 5 de Outubro de 1910: “O Presidente da República, seja quem for, acaba por se comportar, ou pelo menos é visto como tal, como um elemento de uma facção, porque aliás ele é sempre um elemento de uma facção.”

“Para um país como Portugal, com a sua história e as suas características, a monarquia é, aliás já era e continua a ser, a melhor solução. Mas a solução não passa simplesmente por alterar a chefia de Estado, teria de haver, idealmente, uma completa reformulação em muitas das instituições do país”, conclui.

Ao longo de “Um Novo Portugal” o leitor pode estranhar, tendo em conta as temáticas, a ausência de referências à religião e o papel do Cristianismo na sociedade e na história portuguesas. Mas nesse aspecto o autor é claro: “A religião está sempre presente, mesmo que seja de forma sub-reptícia, seja para mim, seja para os outros, mesmo que não queiram assumir. É algo de que me orgulho, da tradição cristã portuguesa, que não deve ser posta em causa. É um debate que passa também pelo resto da Europa, em que o Cristianismo nas suas diferentes facetas parece estar sob ataque de um politicamente correcto que em alguns aspectos assume formas de verdadeiro totalitarismo”.

“Um Novo Portugal” é uma edição da Fronteira do Caos e está à venda nas principais livrarias.