"Ministro da Família" do Vaticano nega ter defendido uniões de facto homossexuais

06 fev, 2013 • Filipe d’Avillez

Arcebispo Vincenzo Paglia garante que as suas palavras foram distorcidas pela imprensa.

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, Arcebispo Vincenzo Paglia, esclareceu esta quarta-feira que não defende a aprovação de uniões de facto para homossexuais, ao contrário do que lhe foi atribuído em vários órgãos de comunicação social.

Questionado sobre o casamento, Paglia foi citada terça-feira pelo jornal italiano "La Repubblica" a dizer que a objecção ao chamado "casamento homossexual" não impede que os direitos de casais não casados, incluindo homossexuais, possam ter reconhecimento jurídico. "Está na altura de os legisladores se preocuparem com isto", terá dito aquele que é conhecido como "ministro da Família" do Vaticano.

Esta quarta-feira, Paglia deu uma entrevista à Rádio Vaticano em que nega a interpretação dada pelos jornais: "Fiquei muito admirado com algumas das reportagens. Não só as minhas palavras não foram compreendidas, como foram mesmo, e talvez propositadamente, 'descarriladas'", afirma.

"Examinar os sistemas existentes para ver se deles se podem derivar normas que protegem os direitos individuais é uma coisa. É muito diferente de aprovar tais possibilidades", conclui o Arcebispo.

As primeiras reportagens atribuindo a Paglia a aprovação das uniões de facto causaram alguma estranheza uma vez que contradizem explicitamente palavras recentes do Papa e também o documento sobre este assunto da Congregação para a Doutrina da Fé, datado de 2003.

Em Janeiro, num discurso no Vaticano, Bento XVI afirmou que "é um grave erro obscurecer o valor e as funções da família legítima fundada no matrimónio, atribuindo a outras formas de união impróprias reconhecimentos jurídicos, dos quais não há, na realidade, qualquer exigência social efectiva".

No documento de 2003, intitulado "Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais", da autoria da Congregação para a Doutrina da Fé, na altura presidida pelo actual Papa, o Vaticano conclui que "a Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais".

"A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade", conclui o texto.