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Padre português "Justo entre as Nações" homenageado na sinagoga de Lisboa

15 abr, 2015

Joaquim Carreira era reitor do Colégio Português de Roma e há documentação que comprova que salvou pelo menos três judeus dos nazis.

Padre português "Justo entre as Nações" homenageado na sinagoga de Lisboa
A vice-presidente da comunidade israelita de Lisboa afirmou esta quarta-feira que o reconhecimento do padre Joaquim Correia como "Justo entre as Nações" assume "um relevo muito grande" à medida que "a memória vai ficando cada vez mais longínqua".

"Obviamente que hoje em dia em que desaparecem não só os justos, como as vítimas sobreviventes [do Holocausto nazi] a memória vai ficando cada vez mais longínqua", a atribuição desta distinção simbólica "toma um relevo muito grande", disse à agência Lusa Ester Mucznik.

A medalha e o certificado de honra "Justo entre as Nações" é entregue esta quarta-feira, ao fim da tarde, na sinagoga de Lisboa, à família do padre Joaquim Carreira pela embaixadora de Israel, Tzipora Rimon, e pela Comunidade Israelita de Lisboa.

Reitor e vice-reitor do Colégio Pontifício Português de Roma entre 1939 e 1945, Joaquim Carreira protegeu e possibilitou a sobrevivência de três italianos Elio, Isacco e Roberto Cittone, de acordo com os documentos no site do memorial do holocausto, Yad Vashem.

Joaquim Carreira nasceu a 8 de Setembro de 1908, no Souto de Cima, a cerca de 20 quilómetros de Fátima, e morreu em 1981, em Roma.

"Trata-se de uma distinção simbólica de reconhecimento de um acto de generosidade humana pelo salvamento, por um não judeu, que correu muitos riscos, para salvar judeus durante o Holocausto", afirma ainda Esther Mucznik.

Essas pessoas são consideradas "justas, no sentido em que fizeram algo pela humanidade".

"No diploma que é entregue está escrita uma máxima do Talmude, um dos livros mais importantes do judaísmo: quem salva uma vida, salva a humanidade inteira", explicou.

Esther Mucznik disse a distinção simbólica reconhece o risco de salvar pessoas e, ao mesmo tempo, expressa a gratidão eterna do povo judeu por essas pessoas “que não sendo judias, arriscaram a vida para salvar judeus”.

A distinção foi criada pelo Yad Vashem, centro mundial de memória, documentação, investigação, educação e comemoração dos mártires do Holocausto, em Jerusalém (Israel), e já existe desde os anos 50, muito antes da ONU ter decretado um dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, disse a vice-presidente da comunidade israelita de Lisboa.

"Hoje [quarta-feira] é o dia judaico do Yom Hashoá [dia da memória dos mártires do Holocausto], que as comunidades judaicas comemoram, normalmente na sinagoga, e este ano, como se deu o caso do reconhecimento do padre Joaquim Carreia como ‘Justo’, será feita a entrega do diploma no dia que recorda o Holocausto na sinagoga", afirmou.

A ONU assinala o dia de memória dos seis milhões de judeus assassinados durante o Holocausto a 27 de Janeiro, data da libertação do campo de concentração de Auschwitz.

O Yad Vashem anunciou a decisão de reconhecer o padre Joaquim Correira como "Justo entre as Nações" em Dezembro do ano passado, de acordo com o blogue Religionline, cujo autor António Marujo foi o primeiro a divulgar a história do sacerdote.

Os três outros portugueses distinguidos como "Justos entre as Nações" são Aristides Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e José Brito Mendes.