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Francisco admite renunciar como Bento XVI

19 ago, 2014

Na viagem de regresso ao Vaticano, após a visita pastoral à Coreia do Sul, Francisco revelou facetas do seu quotidiano. Por exemplo, desde 1975 que não faz férias fora de casa.
O Papa Francisco admitiu, segunda-feira, na viagem de regresso da Coreia do Sul, a possibilidade de renunciar ao pontificado, se lhe faltarem as “forças”, elogiando o exemplo dado pelo Papa emérito Bento XVI. Francisco revelou ainda facetas do seu quotidiano. Por exemplo, desde 1975 que não faz férias fora de casa. "Uma das minhas neuroses é que sou muito caseiro", argumentou.

Francisco admitiu, segunda-feira, na viagem de regresso da Coreia do Sul, a possibilidade de renunciar ao pontificado, se lhe faltarem as “forças”, elogiando o exemplo dado pelo Papa emérito Bento XVI.

"Eu penso que Papa emérito é já uma instituição. Porquê? Porque a nossa vida é maior e numa certa idade já não temos capacidade de governar bem, porque o nosso corpo está cansado. Podemos ter saúde, mas não temos força para continuar a governar a Igreja", começou por afirmar Francisco.

"Podem dizer-me 'e se você, um dia, não sentir forças para seguir em frente?' Farei o mesmo, farei o mesmo. Rezarei muito, mas farei o mesmo. Ele abriu uma porta que é institucional, não excepcional. A nossa relação é de irmãos, verdadeiramente. Mas eu já disse também que me sinto como se tivesse o avô em casa, por causa da sua sabedoria. Ele é um homem intelectual. Fico feliz por ouvi-lo e ele encoraja-me muito", prosseguiu o Papa.

Na conversa com os jornalistas, a bordo do avião que o levava de volta ao Vaticano, Francisco respondeu também a perguntas sobre a sua popularidade e os efeitos desse protagonismo, desvalorizando a questão: "Interiormente, procuro pensar nos meus pecados, nos meus erros, para não ser orgulhoso. Porque sei que vai durar pouco tempo. Dois ou três anos e, depois, volto à casa do Pai".

Em pleno mês de Agosto, as férias foram um assunto inevitável. O Papa, que nunca saiu do Vaticano no verão, revelou que também este ano vai passar as férias na Casa de Santa Marta, onde reside.

"A última vez que fui de férias fora de Buenos Aires foi com uma comunidade jesuíta, em 1975 . Mas tiro férias. Normalmente, fico em casa, mas mudo de ritmo. Durmo mais, leio coisas que gosto, oiço música. E rezo mais, ajuda-me a relaxar. Em Julho e em parte do mês de Agosto, foi o que fiz", revelou.

O Papa admitiu ainda ter problemas de nervos, mas, como bom argentino, a sua solução é um "um mate por dia", uma bebida feita com água quente e ervas e ingerida através de uma palhinha.

"Eu também tenho algumas neuroses. Temos que cuidar delas. Eu trato-as com um mate todos os dias. Uma das minhas neuroses é que sou muito caseiro", contou.

Francisco disse que aprendeu que tem de ser “prudente” no seu ritmo de trabalho e destacou a importância da normalidade no seu dia-a-dia.

À pergunta de um dos jornalistas que seguia do avião sobre se se sente prisioneiro, o Papa foi peremptório: "Não". E confessou: "No início, sim, mas, depois, deitámos abaixo algumas barreiras. Por exemplo - e vão rir-se com isto -, quando o Papa pressiona o botão do elevador, vem imediatamente alguém para o acompanhar, porque o Papa não pode andar de elevador sozinho". Mas [eu disse] 'volta para onde estavas, eu desço sozinho e isto acaba aqui'. E assim foi. E, agora, é assim a rotina, uma rotina normal".

O futebol também foi tema de conversa. A equipa de Francisco, o San Lorenzo, que venceu a Taça da Argentina, vai estar no Vaticano esta quarta-feira. "Descobri aqui, em Seoul. Disseram-me 'sabe que eles vêm na quarta-feira?' e eu disse que são bem-vindos. É uma audiência geral e eles estarão lá".

Desde que Francisco é Papa, o San Lorenzo, que antes esteve quase a descer à II divisão argentina, já venceu um campeonato e, agora, conquistou a Taça dos Libertadores, o que leva alguns adeptos de equipas rivais a considerar que o Papa já fez dois milagres. "Estou muito feliz com isso, faz-me feliz. Mas não, não é milagre", sublinhou.