Cristã sudanesa volta a ser detida, agora com a família

24 jun, 2014

Esteve menos de 24 horas em liberdade. Meriam Ibrahim foi condenada à morte por ter renunciado ao Islão.
Cristã sudanesa volta a ser detida, agora com a família
A cristã sudanesa presa e condenada à morte por renunciar ao Islão, mas que tinha sido libertada, voltou a ser detida esta terça-feira pelas forças de segurança. Meriam Ibrahim, de 27 anos, estava no aeroporto de Cartum, com o marido e filhos, quando as forças de segurança os interpelaram.

É o mais recente desenvolvimento na história da mulher que foi condenada à morte por, alegadamente, ter abandonado o Islão mas que na segunda-feira foi libertada depois de um tribunal ter revogado a sua condenação. Meriam esteve menos de 24 horas em liberdade.

A mulher sudanesa estava no aeroporto de Cartum, com o seu marido e filhos - o mais novo dos quais nasceu na cadeia - quando foi detida. O Governo sudanês não dá qualquer informação sobre a causa da detenção, mas presume-se que a família estava a tentar abandonar o país.

Meriam foi presa e condenada inicialmente por apostasia. Mas argumenta que nunca foi muçulmana, uma vez que foi abandonada pelo pai muçulmano e educada pela mãe, uma etíope cristã ortodoxa. Contudo, o tribunal julgou inicialmente que por ser filha de um muçulmano ela era automaticamente muçulmana, pelo que a adopção do Cristianismo equivalia ao abandono do Islão, um crime punível com pena de morte naquele país islâmico.

Segundo as normas em vigor, Meriam teria dois anos para amamentar a sua filha, até ser executada. Esta condenação mereceu fortes críticas da comunidade internacional e cerca de um mês depois da sua condenação inicial foi libertada da prisão, apenas para ser detida novamente esta terça-feira.

A maior parte da população do Sudão é muçulmana e o país é regido pela sharia, a lei islâmica, segundo a qual não é possível abandonar a religião de Maomé.