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Austeridade

Bagão Félix diz que o Governo ou recua ou cai

13 set, 2012

Em declarações à Renascença, ex-ministro pede um recuo nas medidas de austeridade, fala em "esbulho feito sobre os pensionistas" e considera que se atingiu o limite do "decoro ético".

Bagão Félix diz que o Governo ou recua ou cai
Bagão Félix apela aos dois partidos da coligação para se entenderem e recuarem nas novas medidas de austeridade. Caso contrário, diz à Renascença o ex-ministro, está-se a "adiar o inevitável": a queda do Governo.

"Ainda há tempo para os líderes dos dois partidos da coligação do Governo se sentarem e recuarem, porque reconhecer um erro em política não é mau. É melhor reconhecer o erro do que insistir em erros tão graves como estes", refere Bagão Félix.

Questionado se está criado o ambiente para que o Governo recue e se há margem para esse recuo, é peremptório: "Tem de ser, porque senão estamos simplesmente a adiar o inevitável, que é uma ruptura governamental". 

Para Bagão Félix, as novas medidas de austeridade, em particular a subida dos descontos dos trabalhadores para a segurança social e os cortes aos pensionistas, chegaram a "limites insustentáveis do decoro ético" do Estado.
 
A propósito do corte das pensões - perda de dois subsídios e cortes até 10% para quem aufere valores acima dos 1.500 euros líquidos -, o ex-ministro fala mesmo em "esbulho feito sobre os pensionistas".

De acordo com as medidas anunciadas por Pedro Passos Coelho, os trabalhadores do privado e do Estado vão passar a fazer descontos de 18% para a Segurança Social, em vez dos actuais 11%. Na prática, os privados perdem mais de um salário líquido - no caso dos vencimentos mais elevados, o corte pode até ser de dois salários líquidos [se trabalhar no privado, pode fazer AQUI os cálculos concretos para o seu caso].

No sector público, a Frente Comum já apresentou as suas contas. Os funcionários públicos vão perder, em média, 52,5 euros mensais e o corte nos vencimentos pode ir até três salários.

No caso dos pensionistas, mantém-se o corte de dois subsídios. Para o ano, há um novo corte, que abrange pensões do público e do privado: valores acima dos 1.500 euros brutos podem ser cortadas até 10%.