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Passos Coelho aplaude decisão do BCE e espera que seja "eficaz"

23 jan, 2015

Acusado de contradição, o primeiro-ministro disse que deve haver uma "grande confusão": "Nunca me manifestei contra o programa do BCE, antes pelo contrário".

Passos Coelho aplaude decisão do BCE e espera que seja "eficaz"
O primeiro-ministro disse esta sexta-feira que é "bem-vinda" a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar dívida pública e que espera que ela "seja tão eficaz quanto se deseja".

"Este financiamento do BCE não é para os Governos nem para os Estados, é para os bancos e para a economia e portanto o BCE, ao contrário do que algumas pessoas defendiam, não alterou o seu mandato, os seus estatutos, o seu objectivo que é de política monetária e não está a financiar os Estados, está a financiar os bancos e a economia", afirmou o primeiro-ministro.

Confrontado com as acusações do líder do PS, António Costa – que considerou que a decisão do BCE constitui uma pesada derrota política e doutrinária para o primeiro-ministro –, Passos Coelho frisou que, da sua parte, nunca houve contradições. "Aproveitei para revisitar as declarações que tenho feito sobre esta matérias e elas são particularmente coerentes", frisou.

Em Maio do ano passado, numa entrevista à televisão norte-americana CNBC, Passos disse que uma política de compra massiva de dívida não era normal no âmbito do mandato do BCE, mas esta sexta-feira afirmou que nunca foi contra este tipo de programas. Deve haver uma "grande confusão". "Nunca me manifestei contra o programa do BCE, antes pelo contrário. Esta era uma intervenção aguardada que está a ocorrer dentro daquilo que é o estatuto e o mandato do BCE. Esta é uma intervenção que se aguardava na medida em que a Europa em geral, mas sobretudo o Euro, está a correr riscos de deflação", salientou.

"Nós estamos a chegar a um período de deflação e isso não nos interessa, o BCE que é a quem compete dirigir a política monetária vai intervir no mercado justamente para evitar que uma situação de deflação se mantenha", sublinhou.

O governante afirmou ainda que "o objectivo da intervenção do BCE não é expandir a capacidade dos orçamentos dos Governos". "Se estivéssemos a confundir esta acção com uma acção de financiamento dos Governos o que acontecia é que teríamos a confiança na Zona Euro minada e o objectivo que se pretenderia atingir seria colocado em causa", salientou.

O Banco Central Europeu anunciou na quinta-feira que vai comprar mensalmente 60 mil milhões de euros de dívida pública e privada até Setembro de 2016.