Portugal Pós-troika

FMI. Consensos sim, reestruturação não

12 mar, 2014 • Ricardo Vieira e Pedro Rios

"O ajustamento orçamental vai continuar a ser uma questão nos próximos anos", avisou Poul Thomsen, vice-presidente do departamento europeu do FMI. 

FMI. Consensos sim, reestruturação não

O FMI quer consensos partidários a médio prazo em Portugal e opõe-se a uma renegociação da dívida, ideia também rejeitada pelo primeiro-ministro, pela ministra das Finanças e pela Comissão Europeia.

"É a primeira vez que oiço falar nessa proposta. Não conheço nada de concreto e só aqui sentado é que ouvi falar nisso, mas Portugal está a caminho de ter livre acesso aos mercados e tem os juros mais baixos desde o início de 2010. Por isso, concordo com quem conclui que esta não é a altura para estar a falar neste tipo de coisas", disse Poul Thomsen, vice-presidente do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), na conferência "Portugal Pós-troika", organizada pelo "Jornal de Negócios" em associação com a Renascença.

"O ajustamento orçamental vai continuar a ser uma questão nos próximos anos", afirmou.

Thomsen, ex-chefe da missão do FMI em Portugal, afirma que a percentagem da dívida portuguesa face ao produto interno bruto português "continua muito elevada". Reduzi-la "é um grande desafio", disse.

Como a parte final de uma maratona, "o último terço do ajustamento orçamental é o mais difícil", avisa Thomsen.

Entrada no euro mal gerida
"O programa da 'troika' foi perfeito? É óbvio que não", mas foi o possível nas circunstâncias de 2011, consequência de uma entrada de Portugal no euro em que os "riscos não foram bem geridos".

A política orçamental portuguesa foi "muito solta" após a entrada do país na moeda única, sublinhou. Os fundos europeus não foram direccionados para o crescimento sustentado e Portugal sofreu, também, a concorrência de economias emergentes e competidores de baixo custo, apontou.

São precisos mais cortes salariais? Poul Thomsen respondeu ser necessário "um maior alinhamento entre produtividade e salários".

"Portugal percorreu um longo caminho desde 2011. As reformas tiveram um bom início. Portugal pode manter o 'momentum'? Claro que pode. Uma vantagem fundamental de Portugal foi o alto nível de consenso social. O programa tinha um amplo consenso", referiu.

Leia tudo sobre a conferência "Portugal Pós-Troika", organizada pelo "Jornal de Negócios" em associação com a Renascença.