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Machete admite “incorrecção factual” mas não se demite

21 set, 2013

Bloco de Esquerda pede a demissão do governante por este ter alegadamente mentido no Parlamento sobre o facto de ter acções da SLN/BPN.

O ministro dos Negócios Estrangeiros admite que cometeu uma "incorrecção factual" ao escrever, numa carta em 2008, nunca ter tido acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), mas disse não haver qualquer intenção de o ocultar.

Em comunicado enviado à Renascença, o ministro indica que a carta que escreveu foi, por sua iniciativa, endereçada ao deputado Luís Fazenda, do Bloco, e não em consequência de quaisquer perguntas que lhe tivessem sido feitas.

"No momento em que escrevi esta carta, em 5 de Novembro de 2008, não tinha quaisquer acções ligadas ao Banco Português de Negócios (BPN). Aliás nunca tive, em qualquer momento, acções do BPN. Equivocadamente escrevi mentão que nunca tinha tido acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN). É bom sublinhar
que este é o único ponto da minha carta em que existe uma incorrecção factual", refere o comunicado de Rui Machete.

Rui Machete lembra ainda que já esclareceu "publicamente as circunstâncias, os valores e as datas" em que comprou e vendeu as acções que tinha na SLN, frisando que não teve "qualquer interesse ou intenção em ocultar" este facto.

Classificando de "desproporcionada e despropositada" a iniciativa do Bloco de Esquerda, que veio hoje exigir a sua demissão, Rui Machete reitera que não teve qualquer intenção de ocultar a verdade. Aliás, considera que prova disso é ter sido ouvido na Comissão de Inquérito Parlamentar já depois de ter enviado a carta.

"É evidente que eu não podia ter qualquer interesse ou intenção em ocultar o facto de ter tido, em algum momento, acções da SLN. As listas de accionistas daquele tipo de sociedades são susceptíveis de ser conhecidas, gozando as
Comissões de Inquérito Parlamentares da autoridade e dos poderes de investigação bastantes para exigir a sua disponibilização", acrescenta a nota do ministro dos Negócios Estrangeiros.

O coordenador do partido, João Semedo, apresentou uma carta de 2008 do agora ministro em que este revelava que nunca tinha sido accionista da SLN, ex-dona do BPN, o que, disse o bloquista, se sabe hoje que "é uma redonda mentira".

"A mentira é sempre condenável. Quem mente não pode governar. E por isso nós dizemos que Rui Machete deve demitir-se ou ser demitido, em nome da democracia, da transparência, da decência, do combate à podridão que Rui Machete na sua tomada de posse se queixava de estar a ser vítima", acusou João Semedo.