Activista declara que há fome e repressão em Cabinda

09 ago, 2012 • Domingos Pinto

Em entrevista à Renascença, Alexandre Sambo diz esperar que as eleições angolanas mostrem cartão vermelho ao regime.
Activista declara que há fome e repressão em Cabinda

Há fome em Cabinda e nem sequer há condições mínimas nos hospitais para fazer, por exemplo, um parto. A situação de pobreza generalizada a todo o país é descrita à Renascença por Alexandre Sambo, activista dos direitos humanos.

Não há para já incidentes na campanha eleitoral em Cabinda, mas o povo pode utilizar o voto para dar um recado ao poder político angolano.

É a expectativa de Alexandre Sambo. “O povo nestas eleições tem um processo através do qual pode mandar uma mensagem ao Governo angolano, que as suas políticas em relação a Cabinda não são as mais desejáveis. É política de repressão, há falta de liberdade e de liberdade de expressão”, afirma.

Pode vir a ser um voto de protesto contra um regime que só facilita a vida a quem tiver o cartão do MPLA, o partido do presidente José Eduardo dos Santos. “Por exemplo, para ser chefe de determinada secção de trabalho, de escola, o indivíduo é só do MPLA”, diz Alexandre Sambo.

Quem paga depois a factura é o povo, que passa fome e nem sequer tem liberdade para cultivar os campos, conta o activista. “A fome é em toda a extensão do território. Há um número considerável de famílias que passa fome e que não têm mesmo nada para comer.”

“Algumas lavras foram inundadas de militares, as pessoas não têm a liberdade de ir à lavra quando querem”, diz.

Quanto à saúde, Alexandre Sambo diz que “não existe”, “não há medicamentos no hospital e é preciso levar o álcool, o algodão, a ligadura, a compressa, as seringas e tudo mais, senão levar tudo isso é um problema para fazer, por exemplo, um parto no Hospital de Cabinda”.

Os angolanos estão a menos de três semanas das eleições gerais que vão ter a 31 de Agosto.