UE

Itália e Espanha bloqueiam pacto para o crescimento

28 jun, 2012 • Daniel Rosário

Roma e Madrid apoiam o conteúdo do pacto, mas só aceitam a sua viabilização caso obtenham garantias de que serão tomadas medidas de curto prazo que forcem a descida dos juros da dívida.

Itália e Espanha trocaram as voltas aos planos da Alemanha e bloquearam esta quinta-feira a aprovação do pacto para o crescimento e emprego com que a Europa pretende complementar o Tratado Orçamental aprovado no início do ano.

No encontro dos líderes dos “27”, que decorre em Bruxelas, Roma e Madrid deixaram claro que apoiam o conteúdo do pacto, mas só aceitam a sua viabilização caso obtenham garantias de que serão tomadas medidas de curto prazo que forcem a descida das elevadas taxas de juro que os mercados lhes exigem.

Os presidentes do Conselho Europeu, da Comissão Europeia, a chanceler alemã e os responsáveis vários países tinham agendadas conferências de imprensa para as 19h30 onde contavam apresentar como uma vitória o acordo em relação ao pacto para o crescimento.
Mas o guião cuidadosamente preparado acabou por ser sabotado pela posição de Itália e Espanha.

Já passava das 22h00 em Bruxelas quando o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy e o presidente da Comissão Europeia Durão Barroso apareceram perante os jornalistas. Algo embaraçado, Van Rompuy reconheceu que a discussão ainda não estava fechada, mas não entrou em pormenores.

“Acontece que dois países fazem muita questão em que haja um acordo sobre as medidas a longo prazo e sobre as medidas a curto prazo. Mas a discussão não está de todo bloqueada, a discussão continua, continua. E é por isso que vos apresentamos este relatório nesta fase intermédia.”

A vontade destes dois países já era conhecida dos demais parceiros, que provavelmente subestimaram a sua determinação. Antes de partir para Bruxelas Mario Monti, o chefe do governo italiano, anunciou perante o parlamento do seu país que estava disposto a discutir até segunda-feira, antes da abertura dos mercados.

Hoje, ao chegar à capital belga, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que não servia de nada falar em medida de longo prazo se o seu país se encontrava numa situação em que já não se conseguia financiar.

 “Estamos a financiar-nos a preços demasiado elevados e há instituições públicas espanholas que nem se conseguem financiar. Nestes momentos o preço do crédito a Espanha é evidentemente muito caro, penso que a União Europeia e a União Económica e Monetária têm que ser conscientes desta situação e de que é preciso adoptar alguma decisão.”

A reunião prossegue nesta noite de quinta-feira agora e continua sexta-feira, sendo que para amanhã à tarde já estava prevista uma cimeira apenas entre os líderes dos 17 países da zona euro, provavelmente a ocasião mais adequada para prosseguir a discussão.

Entretanto, apesar de formalmente ainda não ter sido aprovado, o conteúdo do pacto para o crescimento e emprego é o esperado. O objectivo é mobilizar um total de 120 mil milhões de euros, através do reforço do capital do BEI, da reafectação dos fundos estruturais e da emissão de obrigações europeias para projectos específicos de infra-estruturas.