Há 30 jovens na Áustria à procura da paz

14 ago, 2014 • Inês Alberti

Jovens de todo o mundo participam no "Acting for Peace", um curso de Verão para formar potenciais agentes de mudança.
Há 30 jovens na Áustria à procura da paz
Há 30 jovens reunidos em Imst, na Áustria, à procura de um objectivo: construir pontes para que o futuro tenha mais paz do que o presente. Até 16 de Agosto, decorre o “Acting for Peace”, um curso de Verão que pretende formar potenciais agentes de mudança.

O curso, organizado pela Unesco e pela United World Colleges (UWC, uma rede de 14 escolas), conta com a presença de 30 jovens com idades entre os 16 e 18 anos, oriundos do Kosovo, da Síria, do Líbano, do Reino Unido, do Egipto, da Bósnia-Herzegovina e de Portugal, entre outros países.

“Para mim, a paz era a algo de harmonia, alegria, nada de conflitos, de violências. E aqui descobri que não sei completamente o que significa”, diz Bella Tseeva, portuguesa de 17 anos, uma das participantes do curso.

“Acho que a paz é tudo o que nos rodeia e passa por compreender os outros, estar neste mundo com diferentes culturas, diferentes pessoas, saber compreendê-las, saber ouvi-las e estar em harmonia com elas”, contou, por telefone, à Renascença.

“Um país a sofrer”
Falak Milky é palestiniana. Vive no Líbano, na cidade onde a mãe nasceu. Explicou à Renascença que a sua estadia na Áustria está a ser como um “relembrar” da paz.

“A paz no meu país já se perdeu há muitos anos, por causa dos conflitos e das guerras. O nosso país está a sofrer. É bom relembrar a paz e sentir a paz novamente. Aqui, sinto-me relaxada, a cidade é linda, tudo é pacífico e no meu país não há esta descontracção ou conforto”, conta.

Katya Buchleitner, organizadora do “Acting for Peace”, conta que participantes como Falak, oriundos de países onde a paz é uma miragem, têm partilhado as suas experiências e sentimentos. Contribuem para o curso com uma perspectiva real do que é a paz e o conflito.

Segredo para a paz
O curso está dividido em vários módulos, que incluem palestras sobre comunicação, um valor sublinhado por Bella e Falak, e trabalhos práticos como treinos da Cruz Vermelha, de primeiros socorros e acções sociais nas cidades das redondezas.

Enquanto Falak ainda está indecisa sobre a carreira que vai seguir, dadas as poucas oportunidades no Líbano, Bella já sabe há mais tempos quer ser médica, dos Médicos Sem Fronteiras, uma opção apresentada pelo curso.

O que é necessário no mundo para atingir a paz? “Um sorriso”, responde.

“O mundo precisa de comunicação, precisa de comunicar mais, não só por palavras. Quando uma pessoa sorri para a outra é uma forma de comunicação boa e um sorriso já é um bocadinho de paz. A pessoa sente-se feliz, sente-se calma, vê que alguém lhe deu atenção e considero que isso e um momento de paz”, diz.