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Público alemão desconhece "corrupção maciça" na venda de submarinos

29 abr, 2014 • Sandra Afonso

Jornalista António Cascais, autor de uma reportagem transmitida pela televisão pública alemã, considera que até o julgamento do caso na Alemanha foi feito à medida.
Público alemão desconhece "corrupção maciça" na venda de submarinos
Público alemão desconhece "corrupção maciça" na venda de submarinos

As autoridades alemãs ocultam do público as suspeitas de corrupção na indústria dos submarinos, afirma o jornalista António Cascais, autor de uma reportagem transmitida esta segunda-feira pela televisão pública alemã.

Os casos e as investigações vão-se acumulando fora da Alemanha, país que detém 60% do comércio mundial da venda de submarinos, negócios milionários envolvidos em "corrupção maciça", denuncia António Cascais.

A história não é estranha ao público português, onde está em investigação a compra de dois submarinos a um consórcio alemão, mas por terras de Angela Merkel tudo tem sido abafado, revela António Cascais.

“Para o público alemão tudo é novo, ninguém sabe com que métodos os submarinos alemães são vendidos em todo o mundo. É uma grande história de êxito para os alemães, mas os alemães não sabem que por trás desse êxito estão ocorrências de corrupção maciças. Toda a documentação era secreta.”

O jornalista português diz ainda que até o julgamento feito na Alemanha foi feito à medida. “A Alemanha esteve interessada em fazer uma espécie de julgamento rápido às empresas que praticaram a corrupção, porque as pessoas que foram condenadas na Alemanha não poderão ser condenadas em Portugal, porque já foram condenadas na Alemanha. Eu diria que foi cozinhada uma espécie de sentença relativamente branda, os managers da Ferrostal que foram condenados na Alemanha não foram para a prisão, receberam uma pena suspensa, e a empresa pagou uma multa em dimensões relativamente fáceis de pagar”, afirma António Cascais. 

Os detalhes da sentença foram ocultados da imprensa, com a conivência das autoridades, “para proteger os malfeitores”, sublinha o autor do documentário.

António Cascais acrescenta que esta é apenas a ponta do icebergue, “há imensos casos do género”. Os submarinos não foram vendidos só pela sua alta qualidade, “mas sim porque houve sempre corrupção maciça por trás desses negócios”.

O jornalista dá o exemplo de contratos de venda de submarinos para a África do Sul, Grécia, Egipto, Turquia e Portugal.