Alunos carenciados em Castelo Branco já levam sobras da cantina para casa

26 out, 2012 • Maria João Costa

Director de uma das escolas da cidade explica que têm sido servidos "pequenos-almoços acrescidos" na cantina, porque, "infelizmente, sabemos que a única refeição que têm por vezes é a da cantina da escola".
O número de alunos carenciados na escola secundária Amato Lusitano, em Castelo Branco, aumentou em 50%. Além do pequeno-almoço e almoço, muitos levam para casa as sobras. O director da instituição diz que a escola está atenta à crise, que não pede licença para entrar.

“Posso dizer que, nos últimos tempos, o número de alunos carenciados aumentou 50%. Isto quer dizer que temos mais de 40% dos alunos na escola com necessidades e apoiados pela acção social escolar”, lamenta o director da secundária Amato Lusitano, João Belém.

O desemprego que afecta o concelho de Castelo Branco e a situação crítica de muitas famílias passaram a ser uma preocupação para o director da escola. "Em termos de refeições na cantina, aumentámos a 100% e temos de estar continuamente a controlá-los, porque chegamos a ter miúdos que chegam ao meio-dia sem ter tomado o pequeno-almoço", conta à Renascença João Belém.

Embora não seja essa a "obrigação institucional" da escola, o director explica que têm sido servidos "pequenos-almoços acrescidos" na cantina, porque, "infelizmente, sabemos que a única refeição que têm por vezes é a da cantina da escola".

"Às vezes, tentamos dar algum suplemento e alguns até, se têm dificuldades, podem levar para casa algumas sobras”, explica João Belém.