|

Balsemão fala em "miséria moral" e espera "limpeza" nas secretas

29 mai, 2012 • Raquel Abecasis

Sobre o alegado envolvimento do ministro Miguel Relvas no caso das fugas de informação nas secretas, o patrão da Impresa deseja que haja um esclarecimento "o mais depressa possível".

Balsemão fala em "miséria moral" e espera "limpeza" nas secretas
Balsemão fala em "miséria moral" e espera "limpeza" nas secretas
Francisco Pinto Balsemão espera que o caso das secretas permita uma limpeza nos serviços de informações e fala em promiscuidade entre poder político e económico, bem como da sensação geral de impunidade. Em seu entender, deve ser ponderada a própria extinção dos serviços secretos.

Francisco Pinto Balsemão espera que o caso das secretas permita uma “imediata limpeza” nos serviços de informações. Entrevistado no programa “Terça à Noite”, da Renascença, o presidente do grupo Impresa mostra-se preocupado com a situação de “miséria moral” em que estão impregnados os serviços secretos.

“Acho que os serviços secretos são uma actividade necessária, dentro de determinadas balizas, e que Portugal, pelos vistos, tem os serviços secretos numa situação de miséria moral que muito me preocupa. Bem sei que há pessoas válidas e que não actuam assim lá dentro, mas penso que é indispensável uma imediata limpeza e um imediato esclarecimento sobre tudo o que se lá passa”, defende, criticando o facto de haver “serviços secretos que funcionem para municiar eventualmente interesses privados”.

Para Francisco Pinto Balsemão, a recente polémica das fugas de informação nas secretas “deve-se a uma promiscuidade perigosa e completamente indesejável entre poder económico e poder político, deve-se a uma falta de controlo por parte de quem, constitucionalmente, tem a obrigação de controlar e deve-se também a este sentido geral de impunidade que, infelizmente, continua a existir em Portugal”.

Pinto Balsemão considera, por isso, que “os serviços secretos, se fossem pura e simplesmente eliminados, não haveria melhor ocasião do que esta” e apela a “quem conheça melhor o assunto” que pondere a ideia. “Sempre detestei espionagem e tudo o que era andar a meter o nariz na vida dos outros”, remata.

O patrão da Impresa, que detém a SIC, terá sido um dos visados nas investigações encomendadas pelo ex-chefe dos espiões Jorge Silva Carvalho: “É um caso que me choca, que me surpreende, que me revolta. Tomarei as medidas que me parecem fundamentais, ou seja, proceder criminalmente e exigir uma indemnização, que, quando recebida irá para uma instituição de solidariedade social, como é evidente, e sobre isso não desistirei, como não desisti noutras ocasiões”, garante.

Sobre o envolvimento do ministro Miguel Relvas, Francisco Pinto Balsemão deseja que haja um esclarecimento “o mais depressa possível”.

O programa “Terça à Noite” é emitido na Renascença pouco depois das 23h00 e está depois disponível AQUI.