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Professores não estão preparados para gerir situações de indisciplina na sala

12 fev, 2015 • André Rodrigues

Só uma percentagem residual de docentes recebeu mais de 25 horas de formação para dar resposta a estes casos, revela estudo da Universidade do Minho.

Os professores não estão preparados para gerirem situações de indisciplina na sala de aula, segundo o investigador João Lopes, da Universidade do Minho.

No dia em que o Conselho das Escolas debate com os deputados o fenómeno da indisciplina em ambiente escolar, este especialista na área da psicologia e da educação alerta para o défice de formação neste tipo de problema: "60% dos nossos professores dizem que nunca receberam qualquer tipo de formação e, dos restantes, só uma percentagem residual é que recebeu mais de 25 horas".

De acordo com o estudo desenvolvido pela Universidade do Minho, o fenómeno da indisciplina em sala de aula não é preocupante no país, apesar de ter aumentado. "Quando se pergunta aos professores se nos últimos cinco anos a indisciplina aumentou ou diminuiu, 80% respondem que aumentou/aumentou significativamente", garante.

"Não existem muitos casos de indisciplina grave nas escolas portuguesas. É mais frequente o 'falar para o lado' que, se multiplicado por vários elementos numa turma, "pode gerar um clima de ingovernabilidade". Nessa circunstância "terá de ser o professor a assumir o comando e a garantir que a disciplina é um ponto inegociável dentro da sala de aula".

O docente "não deve ter receio de represálias", nem de alunos, nem dos pais. Um receio que para este docente da Universidade do Minho "é mais ficcionado do que real".

João Lopes defende que a indisciplina se combate com a promoção do sucesso escolar dos alunos e com uma maior preparação dos docentes para definir regras.