Morreu Vasco Graça Moura

27 abr, 2014 • Maria João Costa

Homem maior da cultura portuguesa, intelectual e virtuoso das letras foram alguns dos elogios feitos ao escritor, poeta e ensaísta no dia em que foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Morreu Vasco Graça Moura
Morreu Vasco Graça Moura
Homem maior da cultura portuguesa, intelectual e virtuoso das letras foram alguns dos elogios feitos ao escritor, poeta e ensaísta no dia em que foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Vasco Graça Moura morreu este domingo aos 72 anos, vítima de cancro.
São muitas as palavras que definem este homem da palavra. Escritor, poeta, ensaísta, cronista, tradutor: Vasco Graça Moura era tudo isto e muito mais. Morreu este domingo aos 72 anos.

O presidente do Centro Cultural de Belém (CCB) foi homenageado no ínicio do ano Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde o Presidente da República, Cavaco Silva, o elogiou como "um intelectual no verdadeiro sentido do termo, um escritor que em vez de se refugiar nas alturas da criação artística, sente necessidade de vir a terreiro para comentar o quotidiano e dizer frontalmente o que pensa".

Nas palavras do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na altura da homenagem, Vasco Graça Moura era “um dos nossos maiores” da cultura portuguesa. “Escritor reconhecido e cidadão destemido fez sua a conciliação entre a vida do espírito e a vida da acção”, referiu.
 
Nascido na Foz do Douro em 1942, advogado de formação, Graça Moura foi secretário de Estado da Segurança Social e dos Retornados em 1975. Já antes em 74 tinha aderido ao Partido Social Democrata, então PPD.

A poesia já fazia parte da sua vida. Em 1963 publicou o seu primeiro livro "Modo Mudando"; a ele seguiram-se muitas obras de poesia mas também ensaios sobre Luis de Camões ou David Mourão Ferreira, 5 romances, um diário, um livro de crónicas que manteve na imprensa portuguesa; e diversas traduções de autores como Racine, Shakespeare, Moliére.

Venceu diversos prémios, entre eles em 2008, o Prémio Tradução do Ministério da Cultura italiano pela tradução da Divina Comédia de de Dante. O Prémio Pessoa chegou em 1995. Um ano antes tinha ganho o Prémio da Poesia do PEN Club, entre outras distinções.

Mas Vasco Graça Moura teve também uma vida dedicada à causa pública. Era actual administrador do Centro Cultural de Belém. Foi director de programas da RTP em 1978, administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, comissário de Portugal na Exposição Universal de Sevilha em 1992. Foi um dos mentores da Expo 98 de Lisboa, a partir do seu cargo de comissário-geral para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses que ocupou de 1988 a 1995.

A vida política levou-o até Bruxelas em 1999 onde foi eurodeputado durante 10 anos no Grupo do Partido Popular Europeu. Fez parte da comissão nacional de reeleição de Ramalho Eanes em 1980 e da comissão política da candidatura de Cavaco Silva em 95.

Voz sempre crítica do Acordo Ortográfico, a palavra escrita é uma das heranças que deixa.

Vasco Graça Moura morreu este domingo aos 72 anos, vítima de cancro, às 12h00 no Hospital da Luz, em Lisboa.