Vitivinicultores voltam a manifestar-se na Régua

31 jul, 2013 • Olímpia Mairos

O protesto vai decorrer durante todo o dia, com concentração e vigília junto à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), na Régua.
Os vitivinicultores do Douro realizam, esta quarta-feira, no Peso da Régua, um dia de protesto pelo aumento do preço dos vinhos, o saneamento financeiro da Casa do Douro (CD) e contra as novas medidas fiscais.

"A Região Demarcada do Douro continua mergulhada numa profunda crise", lamenta a dirigente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDouro), Berta Santos, salientando que “os pequenos e médios produtores durienses perderam 60% dos seus rendimentos nos últimos anos”. 

No que diz respeito aos preços, os vitivinicultores reclamam 1.100 euros por pipa para o vinho generoso, “em função das letras”, e 300 euros para o vinho de mesa.

Outra reivindicação prende-se com a produção de aguardente a partir da destilação, com prioridade para os vinhos produzidos na Região Demarcada do Douro. “Reclamamos que o Ministério da Agricultura, o Governo e a União Europeia tenham em conta as especificidades da região e estabeleçam apoios para destilação da aguardente”, explica Berta Santos.

Os vitivicultores pedem, ainda, a “suspensão ou mesmo anulação” das novas regras fiscais, um conjunto de medidas que vai fazer com que “milhares de pequenos e médios vitivinicultores” desistam da actividade, o que terá reflexos na desertificação da região e na economia do país.

Quanto à Casa do Douro, uma associação privada de direito público e de inscrição obrigatória, que há anos se debate com uma asfixia financeira, com uma dívida que ultrapassa os 100 milhões de euros, e salários em atraso, a AVIDouro reivindica um "saneamento justo" da instituição.

“Querem alterar os estatutos da Casa do Douro e passarem-na a instituição privada sem inscrição obrigatória. Se já temos um desequilíbrio muito grande, essa situação vai afectar ainda mais a produção, uma vez que apenas vai de encontro aos interesses dos cinco grandes grupos”, explica Berta Santos, revelando que, apesar de muitos vitivinicultores já não terem as suas cotas em dia, essa medida vai afastá-los ainda mais.


Flavescência dourada já chegou à região
Outro problema que “preocupa bastante” a AVIDouro é a flavescência dourada, uma praga inicialmente detectada na região do Minho, mas que já foi encontrada também no Douro.

A flavescência dourada é uma doença que tem como agente um parasita e é transmitida por um insecto que se alimenta da seiva da videira e propaga o fitoplasma contaminado. Quando é detectada numa vinha, não há outra solução se não arrancar as videiras e esperar um período de cinco anos, antes de voltar a produzir no terreno afectado.

“Não quero alarmar, mas, se não houver precaução, se não forem tomadas as devidas medidas de prevenção, podemos estar perante uma segunda filoxera”, alerta Berta Santos, defendendo “mais informação, apoio técnico e financeiro para os tratamentos”.

A acção de luta dos vitivinicultores vai decorrer durante todo o dia, com concentração e vigília junto à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), na Régua.