"Estamos parados." Greve atrasa afixação de notas nas escolas

21 jun, 2013 • Fátima Casanova

Sindicatos dos professores decidiram manter a greve às avaliações até dia 28. A Renascença falou com directores de agrupamentos de Vila Nova de Gaia, Aveiro e Lisboa, que lamentam de dezenas de reuniões por realizar.

A greve de professores cumpre esta sexta-feira duas semanas com consequências em todas as escolas. A maior parte ainda não afixou uma única pauta de notas, com os directores a manifestarem preocupação por este atraso. O retrato é comum a muitas escolas: os conselhos de turma não se estão a realizar e não são atribuídas classificações aos alunos.
 
No agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, ainda não foi realizada nenhuma reunião das 120 que já foram marcadas. O director do agrupamento e também responsável da associação nacional de directores de agrupamentos de escolas públicas exemplifica que nas turmas do 9º ano já foram convocadas quatro reuniões por turma, “constantemente adiadas”.

Filinto Lima reconhece que esta greve dos professores às avaliações está a paralisar as escolas. “Os alunos, não sabemos se eles aprovaram ou se não aprovaram, portanto não os podemos colocar no ano lectivo seguinte ou mantê-los no mesmo ano, e não podemos formar as turmas, não podemos distribuir o serviço docente, que é muito importante e que demora o seu tempo.”

“Estamos parados”, admite Filinto Lima. 

Em Aveiro, na escola secundaria Dr. Mário Sacramento, o balanço também é negativo. Ainda assim, realizaram-se duas reuniões, como adianta o director Mário Lavrador. “De 41 reuniões tenho só duas realizadas, do 12º ano.” 

Quanto às notas atribuídas nesses conselhos de turma, responsável ainda não sabe quando as vai afixar. “Tenho de saber se realmente as vou já afixar ou se espero pelas outras reuniões. Ainda não decidi. Em todas as outras turmas, não tenho notas para afixar”, refere.

Descendo no mapa, em Lisboa, no agrupamento de escolas de Benfica, o director já fez cinco calendários para a realização dos conselhos de turma. Até agora realizaram-se quatro, mas faltam mais de 70. Manuel Esperança, que é também presidente do Conselho de Escolas, diz que os professores já mostraram o seu descontentamento, por isso agora é tempo de regressar à normalidade.

“Eu espero que isto estabilize, porque penso que a classe docente já manifestou a sua grande preocupação pelas medidas que foram avançadas em termos de futuro sobre a classe dos professores”, diz Manuel Esperança.

Oito sindicatos dos professores, incluindo a Fenprof, decidiram esta sexta-feira, em Lisboa, manter a greve às avaliações na próxima semana. O secretário-geral da Federação Nacional de Professores, Mário Nogueira, disse em conferência de imprensa que a grande maioria dos mais de 10 mil docentes inquiridos manifestou interesse em continuar com a greve às avaliações dos alunos até dia 28 de Junho.