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Dezenas aproveitaram consultas jurídicas gratuitas

16 mai, 2013 • Liliana Monteiro

Presidente do conselho distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados explica que a iniciativa pretende estimular a procura de advogados para evitar problemas maiores. 

Em tempos de crise os conflitos aumentam e a capacidade económica das pessoas diminui, o que as afasta mais dos advogados e das garantias de uma boa protecção jurídica.

Por isso mesmo, em semana da comemoração do Dia do Advogado, a Ordem destes profissionais decidiu avançar pela sétima vez com consultas jurídicas gratuitas, atendimentos que foram aproveitados por dezenas de pessoas ao longo do dia.

A vida de Sandra mudou de um dia para o outro e aquilo que planeava para o futuro desapareceu num abrir e fechar de olhos. A braços com um problema com um empréstimo no banco, e com os euros contados para todas as despesas que tem, precisava de aconselhamento jurídico e decidiu aproveitar a consulta gratuita.

Também o Sr. Bernardino se dirigiu esta quarta-feira até ao conselho distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados. Já não sabe o que fazer em relação a um inquilino que não lhe paga a renda da casa há cinco meses. Terminada a consulta saiu mais esclarecido e até já esboçava um sorriso.

Estes são apenas alguns dos muitos casos que passaram esta quarta-feira pelas mãos de quatro dezenas de advogados na região da Grande Lisboa. As matérias de conflito são conhecidas, as carências económicas de uma população cada vez mais necessitada também, mas a Ordem pretende estimular a procura de advogados para evitar problemas maiores.

“O aumento das situações de litígio laboral e de dúvidas em matérias de arrendamento, leva a que haja uma maior necessidade de prestação de serviços jurídicos, que deve ser assegurada por advogados. Nós queremos criar o hábito nos cidadãos de ir ao advogado e, de forma alguma, estamos a pôr em causa, por exemplo, o apoio judiciário ou os advogados em prática individual. Esta faixa da população é carente de apoio jurídico e não teria outra maneira de o obter, se não fosse este dia da consulta jurídica gratuita”, afirma Vasco Marques Correia, presidente do conselho distrital da Ordem dos Advogados.

E o que leva estes profissionais a dar o seu tempo sem qualquer remuneração? Cristina, a advogada, explica à Renascença lhe dá “muita gratificação” ajudar pessoas que têm muitas dificuldades e não conhecem os seus direitos.

Acima de tudo falam num dever cívico e até o vice-presidente da distrital de Lisboa, António José Martins, se juntou.

Vasco Marques Correia diz que, face à crise e ao aumento da concorrência, os advogados já baixaram os preços. O responsável pelo conselho distrital da Ordem também considera que “é mais barato ir ao advogado preventivamente, do que deixar as situações agravarem-se”.
 
Marta foi confrontada com um acontecimento inesperado, ficou sem saber como reagir e decidiu aproveitar a consulta jurídica gratuita. Marta, Sandra e tantas outras pessoas que pediram o anonimato foram unanimes à saída da consulta com o advogado: “devia haver mais vezes, porque as consultas com os advogados são caras”.