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Banco de Portugal lança o dilema da austeridade

10 jan, 2012 • Sandra Afonso

A instituição liderada por Carlos Costa antecipa uma contracção "sem precedentes" da economia em 2012. Por isso, prevê a necessidade de mais medidas difíceis.

Banco de Portugal lança o dilema da austeridade
Mais pessimista do que a “troika”, o Banco de Portugal prevê para este ano uma recessão de 3,1% e admite que podem ser necessárias mais medidas de austeridade.

O cenário agora traçado está rodeado de incertezas, avisa o banco central, que deixa em aberto a possibilidade de medidas adicionais de austeridade para lá das que estão inscritas no Orçamento do Estado para 2012. Tudo depende da conjuntura externa e do desempenho da economia nacional.

No boletim de Inverno publicado ao início da tarde, a instituição liderada por Carlos Costa revê em baixa o crescimento e antecipa uma contracção “sem precedentes” da economia em 2012, seguida de uma situação de quase estagnação em 2013, com crescimento de apenas 0,3%.

No cenário de forte moderação salarial e queda do emprego (1,8%), o consumo das famílias deve também descer para níveis históricos – uma queda de 6%, quase o dobro da registada em 2011 e do que tinha sido estimado no Boletim de Outono.

As empresas vão investir menos, antevendo-se cortes muito mais expressivos do que os que estão a ser feitos pelo sector público.

Exportações continuam a crescer
A única variação positiva surge do lado das exportações, que vão abrandar face a 2011, mas continuam a crescer: passam de 7,3% para 4,1%, mesmo com o esperado abrandamento da economia internacional.

Da parte das importações, Portugal vai continuar a cortar, caindo 6,3%. A balança comercial fica, assim, equilibrada, o que ajuda à redução do endividamento externo – um dos problemas do país.

Quanto à inflação, prevê-se uma taxa de 3,2%, agravamento que se justifica não tanto pelos custos de produção, mas por causa das medidas de ajustamento, como o agravamento dos impostos e a subida administrativa de preços.

O rendimento real das famílias vai assim continuar em queda. O Banco de Portugal defende, apesar disso, a importância do regresso às taxas de poupança do passado.