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Trichet diz que se Portugal tivesse cumprido PEC teria evitado resgate

14 jan, 2014 • Daniel Rosário, em Bruxelas

Ex-presidente do Banco Central Europeu voltou a referir-se a Portugal para exemplificar que os primeiros três países a serem atacados pelos mercados foram precisamente aqueles cuja competitividade divergia da restante zona euro.

Trichet diz que se Portugal tivesse cumprido PEC teria evitado resgate
Trichet diz que se Portugal tivesse cumprido PEC teria evitado resgate
O antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, defendeu esta terça-feira, em Estrasburgo, que se Portugal e a Grécia tivessem cumprido as recomendações feitas no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) teriam evitado muitos problemas, nomeadamente os programas de regaste.

“No caso de Portugal e da Grécia, acredito que se o PEC tivesse sido aplicado muito rigorosamente teríamos evitado muitos problemas, muitos problemas, não digo todos os problemas”, afirmou Jean-Claude Trichet, perante a comissão do Parlamento Europeu que está a investigar a acção da “troika” nos países resgatados.

O responsável francês, que presidiu ao Banco Central Europeu entre 2003 e 2011, não identificou exactamente o período a que se referia a sua observação.

Mas voltou a referir-se a Portugal para exemplificar que os primeiros três países da zona euro a serem atacados pelos mercados foram precisamente aqueles cuja competitividade divergia da restante zona euro, situação para a qual diz que o BCE alertou desde 2005.

“Os mais vulneráveis eram mais ou menos aqueles que sinalizavam perda de competitividade e onde as evoluções nominais galopavam. Sem surpresa, em primeiro lugar a Grécia, em segundo a Irlanda, em terceiro Portugal. Eram os três países que apresentavam indicadores que divergiam da média, o resto mundo viu isso e atacou”, afirmou Jean-Claude Trichet.

Perante os eurodeputados, Trichet revisitou os anos de brasa da crise do euro e identificou Agosto de 2011, numa altura em que Portugal, Grécia e Irlanda já tinham sido resgatados, como o momento decisivo.

“O episódio mais intenso aconteceu quando 40% do PIB foi desafiado, quando Espanha e Itália foram colocadas em causa. O resto do mundo estava a apostar massivamente no colapso de Espanha e Itália e, depois destes países, claro, no colapso do resto da zona euro”. Colapso esse que, segundo Jean-Claude Trichet, só foi evitado graças à intervenção decisiva do BCE.