“Senhor Europa” diz que não se pode analisar situação na Grécia apenas com microscópio do FMI

04 jul, 2015

Jacques Delors lembra que se deve honrar a cooperação e a solidariedade" na União Europeia.
“Senhor Europa” diz que não se pode analisar situação na Grécia apenas com microscópio do FMI

O antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors apelou aos líderes europeus para fazerem todos os possíveis para salvar a Grécia, incluindo uma análise ao peso da dívida do país.

Num artigo de opinião publicado no diário francês “Le Monde”, co-assinado pelos antigos comissários europeus António Vitorino e Pascal Lamy, Jacques Delors, considerado um dos principais actores do aprofundamento da integração europeia, sublinha a necessidade de "honrar a cooperação e a solidariedade" na União Europeia.

O antigo presidente da Comissão Europeia diz que "não se pode analisar a situação na Grécia apenas com o microscópio do FMI, mas sim com os binóculos das Nações Unidas".

O político socialista francês, que nos três mandatos cumpridos à frente da Comissão Europeia (1985-1995) foi nomeadamente responsável pelas reformas que permitiram criar a União Económica e Monetária, propõe um plano de resgate da Grécia com três vertentes.

"Em primeiro lugar, uma ajuda financeira razoável que permita à Grécia restaurar a sua solvência a curto prazo. A seguir, uma mobilização dos instrumentos da UE para reanimar a economia helénica e fazê-la regressar ao crescimento (...). Finalmente, colocar rapidamente na agenda a análise do peso da dívida grega e das dívidas dos outros países com programa”, escreveu.

"Só um plano global assim pode abrir perspectivas de esperança e de mobilização para o povo grego e as suas autoridades e, dessa forma, comprometê-los com o esforço de reconstrução de que o país precisa e de que a UE beneficiará", acrescentou.

Delors, Lamy e Vitorino sublinham no texto que "o problema da Grécia não é apenas nacional" porque "tem e terá efeitos em toda a Europa", pelo que a questão não se limita "a medir as consequências económicas e financeiras", mas de "perceber a evolução da Grécia numa perspectiva geopolítica, como um problema europeu". Os Balcãs vivem uma instabilidade que não precisa de ser encorajada, há a guerra na Ucrânia e na Síria, e não se pode esquecer o terrorismo e a crise dos migrantes.