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Eduardo Lourenço. Desafios da Europa são imprevisíveis

19 mar, 2015 • Maria João Costa

Na Madeira, o ensaísta disse que o islão extremista é um desses desafios. Tem uma "barbaridade colectiva que já não se conhecia há algum tempo", como se "voltássemos mil anos atrás".

Eduardo Lourenço diz que "a construção da Europa está um pouco paralisada e outra vez com muitas contradições internas".

Para o ensaísta, que muito escreve sobre o velho continente, há neste momento outro grande desafio. "O mais terrível é que o desafio que é feito à Europa é totalmente imprevisível", afirma Lourenço, que aponta como alvo "um certo sector do islão".

Para o autor de "O Labirinto da Saudade", homenageado esta quinta-feira no Festival Literário da Madeira, no Funchal, este sector do islão é constituído por "gente que tem um comportamento de uma certa barbaridade colectiva que já não se conhecia há algum tempo." Como se "voltássemos mil anos atrás".

Eduardo Lourenço descreve "a incompatibilidade visceral de duas culturas", mas diz que "não é só a religião que está em causa: são maneiras de ver as coisas e particularmente a maneira como se perfila de um lado e de outro a relação entre homens e mulheres".

O ensaísta espera que haja algo de "parecido com o Ocidente dentro do islão, que também triunfe". Mas "não vai ser fácil".

Lourenço na "ilha mágica"
"Não vejo qual a razão, não tive a sorte de nascer nesta ilha maravilhosa", afirma o ensaísta Eduardo Lourenço perante a homenagem que lhe foi prestada no Festival Literário da Madeira. A entrada do Teatro Municipal Baltazar Dias no Funchal passa agora a ter uma placa com o nome do ensaísta português.

Perante a distinção, Eduardo Lourenço manifestou "grande espanto": é "uma gentileza excessiva", disse mesmo.

Ao lado do autarca do Funchal, o autor usou o seu tom irónico. "Até perceberia que por efeitos de idade se lembrassem de um sujeito que está em fim de carreira", disse. "Espero que alguma coisa do que escrevi possa justificar que a Madeira se lembre de um provinciano do Portugal profundo."

Eduardo Lourenço disse que a Madeira é uma "ilha mágica", "a mais bela das ilhas". Lembrou que o arquipélago "foi o primeiro degrau do espaço português no mundo". Lembrando a colonização da ilha, referiu que "não havia ninguém para dominar, só árvores, flores e alguns animais." E concluiu que "foi a primeira tentativa de existir em outro território"

Ao lembrar a passagem de Winston Churchill pela Madeira, Eduardo Lourenço afirmou que, "na verdade, a Madeira seria um bom sítio para acabar os dias, um paraíso perdido no meio do oceano".