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Imagens chocantes mostram torturas a doentes na Síria

06 mar, 2012

"Eu vi detidos a serem torturados com choques eléctricos, chicoteados, espancados com bastões. Partiam-lhes as pernas", revela o funcionário que gravou as imagens.
Uma reportagem da televisão britânica "Channel 4" revela imagens gravadas secretamente por um funcionário do Hospital Militar de Homs, na Síria, que mostram as torturas a que são sujeitos os feridos que resultam dos confrontos com as forças leais ao presidente Bashar Al Assad. O canal sublinha que não foi possível confirmar de forma independente a autenticidade, mas a gravação vem alegadamente comprovar os rumores que corriam há meses sobre as práticas de torura nos hospitais sírios.
Um vídeo gravado às escondidas por um funcionário mostra imagens chocantes de alegadas torturas a doentes internados no hospital militar da cidade de Homs.

Os pacientes estão acorrentados às camas com os olhos vendados e são torturados com choques eléctricos e bastonadas.

As imagens estão a ser divulgadas pelo "Channel 4" da Grã-Bretanha, que falou com o funcionário que as gravou. A maior parte dos doentes refere-se a civis que participavam em manifestações contra o regime ou militares que se recusaram a seguir ordens.

“Eu vi detidos a serem torturados com choques eléctricos, chicoteados, espancados com bastões. Partiam-lhes as pernas. Eles torcem os pés até partirem as pernas, operam sem anestesia. Vi espancarem detidos: batiam com as cabeças contra as paredes", começa por descrever o funcionário, entrevistado em lugar seguro.

"Amarram os doentes às camas e negam-lhes água. Às vezes, têm de amputar membros, que acabam por gangrenar, porque os médicos não prescrevem antibióticos. Alguns detidos costumavam ser transferidos do hospital para a prisão. Agora, quando regressam, ou estão mortos ou com ferimentos graves no crânio”, acrescenta o funcionário.

São os médicos e o pessoal hospitalar que torturam os próprios doentes, avança a mesma fonte. O canal de televisão não conseguiu confirmar a veracidade das imagens.

A cidade de Homs tem sido bombardeada nas últimas semanas pelas forças fiéis ao presidente sírio, Bashar al-Assad e a Cruz Vermelha Internacional continua impedida de entrar nos bairros mais atingidos.

As organizações sírias dos direitos humanos acusam o regime de Damasco de estar a levar a cabo uma limpeza das ruas antes da entrada da ajuda humanitária.

A responsável pelas operações humanitárias da ONU deve visitar a Síria ainda esta semana, acompanhada do ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, nomeado enviado especial para o país.