Lisboa sem arraiais. "Decisão contraria a minha expetativa", mas prioridade "é mantermo-nos vivos", diz junta de freguesia
08-06-2020 - 08:16
 • Liliana Monteiro

Junta de Santa Maria Maior, em Lisboa, não licenciou as festas populares, mas o presidente da junta garante que “para o ano vai ser muito forte”.

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A proibição das festas populares em Lisboa foi contra as suas expetativas, mas o presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, diz compreender a decisão.

A principal tarefa é mantermo-nos vivos. Gostaria de poder comer sardinha e andar na rua”, mas não vai ser possível, admite o edil responsável pelos bairros de Alfama, Baixa, Chiado, Castelo, e Mouraria.

“Este ano não há Santos Populares, festas e arraiais seja em Alfama ou na Mouraria”. Foi com esta mensagem, através das redes sociais, que o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior se dirigiu à população para explicar que este ano não há Santos Populares. Contactada pela Renascença, a junta não quis prestar declarações.

Miguel Coelho afirma: “a decisão da Câmara de Lisboa e do Governo contraria a minha expetativa, mas a junta tem de cumprir a lei. Não podemos licenciar arraiais. Gostaria de dar outra informação e de poder comer uma sardinha e andar na rua, mas não vai ser possível porque as indicações são claras”, lamenta.

Lembra que “os tempos continuam complicados, há luz ao fundo do túnel, mas ainda há nuvens negras” e é preciso cumprir as regras. “Desconfinamento não implica relaxamento total”, sublinha.

Durante a mensagem nas redes sociais recomenda aos munícipes o uso de máscara e distanciamento de dois metros, precaução e cuidado, fazendo ver que a responsabilidade individual é muito importante.

De olhos postos no futuro, que acredita será melhor, garante “só posso fazer um compromisso de que para o ano que vem vai ser forte e muito bom! Isto se este ano zelarmos uns pelos outros e respeitarmos”.

“Embora triste compreendo esta decisão. Não podia ser de outra maneira”, refere Miguel Coelho.

O presidente da Junta Freguesia de Santa Maria Maior comunicou ainda que não vai haver a tradicional procissão de Santo António, nem a exposição do andor do Santo.

Numa outra nota dirigida à população Miguel Coelho afirma que “a estrutura envelhecida da população dos bairros que acolhem as festas e o risco para a saúde de todos é grande”.

Para que tudo possa correr bem e as regras respeitadas, o presidente garante que “contactou os requerentes habituais de ocupação de espaço público para os arraiais populares e divulgou as decisões tomadas pela Câmara Municipal de Lisboa”.

“Este é um período extraordinário. Estaremos lado a lado, quando for possível, para trazer de volta a Santa Maria Maior os maiores e melhores arraiais da cidade. Por ora, o bem-estar de todos e a defesa dos nossos idosos são uma responsabilidade de cada um de nós”, apela a todos os que vivem na freguesia que é um dos epicentros do Santo António e das festas populares de Lisboa.

Festas de Lisboa no computador

As Festas de Lisboa não saem este ano à rua, mas algumas iniciativas vão chegar aos bairros através da internet. Cultura na rua #quasejuntos foi o título escolhido para este ano.

A EGEAC, responsável pela gestão de alguns dos mais emblemáticos espaços culturais e pela realização das Festas de Lisboa e de outros momentos culturais de referência da cidade, organizou uma programação alternativa. O Festival à Janela e o Cinema Estendal foram cancelados, devido à pandemia de Covid-19, mas há outras propostas que respeitam o distanciamento físico.

Tronos de Santo António

Este ano os tradicionais tronos de Santo António não vão estar nas ruas, mesmo assim o concurso reinventou-se e não se deixou de fazer.

Os três vencedores vão ter o trabalho divulgado numa exposição online disponível no dia 13 de junho nas plataformas digitais do Museu de Lisboa e Cultura.

O desafio dirigido a miúdos e graúdos foi usar materiais reciclados e muita imaginação, sempre com o Santo António em destaque num trono.

OPA - Oficina Portátil de Artes

Um projeto pedagógico e artístico de raiz intercultural, a Oficina Portátil das Artes (OPA) regressa este ano, numa edição diferente.

O projeto da Associação Sons da Lusofonia apoia promessas do hip hop na grande Lisboa, agora numa versão totalmente online, através de um convite à participação de novos talentos e de um conjunto de sessões de participantes de edições anteriores.

A iniciativa que termina em agosto com os concertos selecionados.

Programa:

2 de junho – Lançamento do convite para participação (até 21 de Junho)

6, 7, 13 e 14 de junho – Sessões de participantes anteriores

1 e 2 de agosto – Apresentação dos resultados da participação em formato concerto

Ecotemporâneos

Todos os domingos de junho serão preenchidas com sessões de leituras de livros online. As quatro sessões do projeto Ecotemporâneos contam com diferentes convidados e poderão ser acompanhadas no Instagram da BoCA.

Programa:

Dia 7 - Julião Sarmento (Artista plástico)

Dia 14 - Teresa Villaverde (Realizadora de cinema)

Dia 21 - Tiago Rodrigues (Encenador e Diretor do Teatro Nacional D. Maria II)

Dia 28 - Capicua (Rapper)